Artes Plásticas

O legado de José Rodrigues continua a florescer

O legado de José Rodrigues continua a florescer

Reitoria da Universidade do Porto inaugura amanhã exposição "O guardador do sol", com trabalhos dos anos 1960 a 1980. Uma mostra inclusiva para cegos.

A Reitoria da Universidade do Porto inaugura hoje, nas Galerias da Casa Comum, uma exposição que assinala os 85 anos do nascimento de José Rodrigues, artista e humanista (nascido a 29 de outubro de 1936). A mostra alberga um arco temporal de 30 anos, das décadas de 1960 a 1980. As 70 peças denunciam o impacto da experiência em África na vida do artista, bem como as viagens realizadas pela Europa e pelo Oriente. José Rodrigues nascido em Angola, onde viveu até aos 16 anos, viu-se obrigado a combater as pessoas com quem conviveu na infância. Circunstâncias que deixaram marcas profundas na sua vida e obra.

A exposição, intitulada "O guardador do sol", vai buscar o título à escultura em bronze que está no Jardim da Faculdade de Belas Artes do Porto, uma homenagem ao poder africano, o sol daquele continente que cega o inimigo, mas também uma referência ao humanista que "tinha uma capacidade incrível de juntar pessoas e alavancar projetos como a Cooperativa Árvore", diz ao JN a filha, Ágata Rodrigues.

"O guardador do sol" é, aliás, uma das obras a que se pode aceder desde 2019 através do projeto Museu Digital, graças à app Roteiro de Arte Pública de José Rodrigues. "Com georeferenciação pode-se facilmente saber a que distância se está de uma obra do artista", refere Fátima Vieira, vice-reitora para a Cultura da Universidade do Porto.

A primeira sala da mostra tem tom ocre como a terra em Angola e alberga obras inspiradas pela arte africana, como explica Alexandre Lourenço, curador da iniciativa. Aqui estão também expostas cartas escritas aos amigos sobre a guerra, em que dizia, "MORRA ou não MORRA, VIVO é que não estou já". Há aqui muitas figuras humanas com alusões a lágrimas, desenhos e esculturas onde é notória a influência de um imaginário africano.

De inglaterra ao Oriente

Numa outra sala estão as esculturas inglesas, como a da figura de uma maçã cortada que permite ao visitante jogar com a cinética. A terceira parte da mostra é impactante, com várias impressões em bronze de elementos da Natureza, marcadamente orientais.

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Toda a exposição tem uma componente inclusiva, para que os cegos possam tocar (impressões 3D) e ouvir (audiodescrições), um contributo da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto para esta exposição.

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