Cultura

"O sexo e a cidade" já estreou em Portugal

"O sexo e a cidade" já estreou em Portugal

Há uma cena na versão para cinema de "O Sexo e a Cidade", que estreou em Portugal na passada quinta-feira, em que Carrie (Sarah Jessica Parker) recebe em DVD um filme que nunca vira, "Meet Me in St. Louis". Esta sequência é uma grande metáfora. 

É que o que falta a "O Sexo e a Cidade", apesar de todo o luxo de que se rodeia, é mesmo a classe que só homens da dimensão de Vincente Minnelli, realizador de "Meet Me in St. Louis", poderiam conferir ao filme. George Cukor, que fez um filme só com mulheres, aliás, intitulado precisamente "Women", é o nome em quem mais se pensa, durante a projecção de "O Sexo e a Cidade". Mas não é um elogio. A questão é mesmo esta: o que poderia um autor com o bom gosto de Cukor fazer com uma história destas? Não estejamos com subterfúgios. "O Sexo e a Cidade" não é cinema: é um produto. A esse nível, muito cuidado, é certo. Nada do que se poderia esperar do filme lá falta. Até terá em demasia - duas horas e meia do mesmo acaba por ser cansativo. No fundo, o problema é o mesmo de muita produção que nos chega actualmente dos estúdios de Hollywood. Falta-lhes um olhar, uma visão de autor. Quem será capaz, dentro de algum tempo, de recordar o nome do realizador de "O Sexo e a Cidade"? Curiosamente, na origem do filme, está uma série que mudou muita coisa. Do protagonismo dado a personagens femininas a um certo arrojo nos temas e na narrativa, que fazem com que, hoje em dia, a televisão americana, em especial algumas séries produzidas por canais independentes, seja muito mais estimulante do que um cinema norte-americano preso nas convenções e no moralismo vigentes. Uma das grandes questões que se colocava à versão para grande ecrã de "O Sexo e a Cidade" era de saber como iriam personagens e situações evoluir da linguagem televisiva para a do cinema. O facto de o realizador do filme ser o mesmo que assinara já muitos dos episódios da série - seis temporadas entre 1998 e 2004 - assegurou a solução de continuidade, mas não tira do espectador, caso este esteja interessado em distanciar-se um pouco das aventuras sexo-matrimoniais das quatro nova-iorquinas, a ideia de que está a ver um episódio especial da série de televisão, projectado numa sala de cinema. Afinal de contas - e contas é mesmo a palavra certa -, a operação era para ser mesmo assim, o menos arriscada possível. Filmado para o público feminino, este acorreu de tal forma em massa nos Estados Unidos, que quando estreou, há alguns dias, retirou logo o novo Indiana Jones do topo das bilheteiras. Mas não deixa de ser significativo que, apesar da presença confirmada das quatro actrizes que não falharam nenhum dos 94 episódios da série, seja, afinal, Jennifer Hudson a responsável pelos momentos mais divertidos do filme.

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