Exposição

O teatro como memória e especulação

O teatro como memória e especulação

Preservar a memória de espetáculos que marcaram a vida do Teatro São João e abrir a possibilidade a novas leituras e fantasias a partir dessa lembrança é uma das propostas da exposição "Noites brancas", que inaugurou, este sábado, no Mosteiro de São Bento da Vitória, no Porto.

Exposição nem será o termo que melhor define "Noites brancas" (que remete para a "insónia criativa" de quem constrói um espetáculo), tendo em conta que o material em exibição, que ocupa todo o corredor superior do Mosteiro, estará ali em permanência, formando quase um pequeno museu.

Um museu que será um corpo vivo, segundo Nuno Carinhas, diretor do Teatro São João, com renovações regulares que permitam também novas especulações sobre aquilo que se vê. E aquilo que se vê são fragmentos de vários espetáculos encenados por Ricardo Pais e Nuno Carinhas, como "D. João", de Molière, "O saque", de Joe Orton, "Tambores na noite", de Bertotlt Brecht ou "Casas pardas", de Maria Velho da Costa, ali presentes através de cenografias, figurinos, cartazes ou registos audiovisuais. "Fez-se uma coleção dos elementos que se destacavam em cada espetáculo e procurou-se reproduzir o espírito real do espaço", explicou Nuno Carinhas.

Com vista permanente sobre o claustro do Mosteiro, o percurso é feito de contágios e associações entre as várias memórias, deslocando-se o visitante num território em que uma cenografia dá lugar ao som de outro espetáculo, estabelecendo-se curiosos jogos entre os diferentes universos ali recuperados. Como arte efémera e não replicável o teatro precisa de documentos para se conservar, daí o aplauso que esta iniciativa merece.

"Noites Brancas" está acessível ao público de segunda a sexta-feira, às 12 horas, integrando-se na visita guiada ao Mosteiro, que custa três euros.