Colóquio

"O Teatro Nacional não é milho para os pássaros"

"O Teatro Nacional não é milho para os pássaros"

Quatro representantes de teatros nacionais explicaram as condicionantes que encontram nas suas missões de dirigir uma instituição nacional.

O Mosteiro de São Bento da Vitória acolheu hoje as primeiras sessões do colóquio "Teatros nacionais: Missões, tensões, transformações". A primeira mesa-redonda debateu o tema "Missões: Liberdades e constrangimentos da instituição Teatro Nacional", olhando para as díspares realidades de Buenos Aires, Dublin, Milão e Porto, com moderação do jornalista Pedro Santos Guerreiro.

Os posicionamentos perante o teatro e os seus papéis são radicalmente diferentes, mas todos influenciados pelas circunstâncias que os rodeiam. Ricardo Pais, o único dos presentes que não está em funções, abriu as hostes dizendo-se contrariado pela sua presença e explicou as indignações: "Fala-se mal em palco em português. Somos um país pobre e pobre de espírito. E o anacrónico acordo ortográfico só serviu para percebermos que Fernando Pessoa não é Maria Bethânia".

Pais defendeu que "os teatros nacionais não podem ser milho para os pássaros e albergue das vacas sagradas do teatro independente. Têm de ser a excelência da criação". Acrescentando discordar do "teatro para minorias e a obedecer ao politicamente correto como se não houvesse nada de mais interessante a fazer".

Sebastián Blutrach, do centenário Teatro Cervantes em Buenos Aires, o único teatro nacional na Argentina, descreveu uma realidade distinta. Num país pobre e com vertiginosas clivagens sociais, a instituição não se limita a fazer teatro para a elite porteña. Até porque tem a concorrência de 35 estruturas privadas que, não sendo subsidiadas, permitem aos atores ser isentos de impostos. A sua missão é não só alimentar o teatro independente, como fazer teatro para todas as outras províncias, obedecendo às respetivas especificidades linguísticas e culturais.

Diretor do irlandês Abbey Theatre, Mark O´Brien explicou que o seu teatro é um ato de resistência que nasceu ainda antes da nação e que a melhor carta de amor é a contestação, dos trabalhadores e dos espectadores. O pior é um teatro que deixa a todos indiferentes.

Claudio Longhi, do Piccolo Teatro di Milano, explicou que no seu caso a missão é "um teatro que sirva a todos", especialmente porque a sua instituição só tem um quarto de apoio do Estado, vindo o resto de privados.

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