Cultura

Obra de Camilo em leilão no Porto

Obra de Camilo em leilão no Porto

Está a decorrer no Porto um leilão com obras de Camilo Castelo Branco. Os livros fazem parte de uma biblioteca particular com cerca de dois mil títulos que está à venda até ao próximo sábado, no salão nobre da Junta de Freguesia do Bonfim.

Apesar de o leilão decorrer até ao próximo sábado, os lotes relativos à obra camiliana começaram a ser vendidos esta terça-feira, ficando alguns disponíveis ainda para a sessão desta quarta-feira, marcada para as 21 horas. Pela sua raridade, títulos como "Horas de lucta" e "A infanta capellista" serão dos mais cobiçados na iniciativa, promovida pela Livraria Manuel Ferreira.

Chegando quase aos 300 livros, a biblioteca camiliana destaca-se neste leilão de quase duas mil obras. A colecção pertence aos herdeiros de José de Sá Monteiro de Frias, destacada figura de Sintra que foi cliente da Livraria Manuel Ferreira durante mais de 40 anos.

E, mesmo não sendo pequena, esta não é das maiores bibliotecas que a referida livraria, fundada no Porto há mais de meio século, levou a leilão. Já organizou um que durou 24 dias e, no que diz respeito ao universo camiliano, o maior leilão foi o que organizou em 1968, com mais de quatro mil obras.

Herculano Ferreira, responsável pelo leilão, refere que o mundo de Camilo é muito peculiar, sublinhando que o romancista "tem um lugar ímpar entre todos, no mundo da bibliofilia". Não só pela obra extensa que deixou, mas também por os seus livros serem de "produção rústica", com capas muito frágeis. Esse facto levava os proprietários a encadernar os livros, para melhor os preservarem. "Hoje em dia, é raro encontrar o original, com a capa de brochura", diz, a propósito. A isso podemos somar as edições raras e tiragens pequenas, também usuais no autor.

Referindo que "ninguém tem uma biblioteca camiliana completa", aquele responsável reconhece, no entanto, que "há um conhecimento à volta de Camilo muito apurado". E o coleccionismo não pára de surpreender o livreiro, que conhece um exemplar das poesias "A Laura Geordano" em seda.

Além das duas obras atrás referidas, vão a leilão nesta quarta-feira, também de Camilo, títulos como "Memorias do carcere", que escreveu sobre o tempo passado na cadeia da Relação, ou o opúsculo "Maria! Não me mates, que sou tua mãi!".

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Desta biblioteca constam também publicações em que Camilo escreveu, como o número único da revista portuense "Folhetim do Nacional". Raridades em torno da obra de Camilo Castelo Branco que estão ao lado de centenas de outros livros. Só para citar alguns, refira-se a edição de luxo de "O Malhadinhas", de Aquilino Ribeiro, com desenhos de Bernardo Marques, e um livro da juventude de Antero de Quental, "Sonetos de Anthero".

Base de licitação mais elevada

O título que tem a base de licitação mais elevada é "Horas de lucta", no valor de 1500 euros. É uma das mais raras, cobiçadas e valiosas peças de toda a bibliografia camiliana. Só se imprimiram 32 exemplares, sendo este lote em particular o que foi dedicado a Ana Plácido, que viria a ser mulher de Camilo.

Com uma base de licitação de 1000 euros parte para leilão o lote correspondente ao livro "A infanta capellista", uma primeira edição que vai, por certo, merecer também renhida disputa entre os coleccionadores que se apresentem na Junta de Freguesia do Bonfim.

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