Arte do Dia

Onde está a nossa casa?

Praias sintéticas, pássaros e flores, memórias turvas, o renascimento da arte do vitral e uma canção épica dentro de um T1.

Gente que melhora a cada novo disco não é o acontecimento frequente nem, sobretudo, duradouro. Aos 52 anos, o cantor e compositor americano John Grant continua a ser uma exceção. Prova-o "Boy from Michigan", álbum acabado de chegar, cujo tema-título é uma janela aberta para uma praia forrada a linóleo:

Há dois anos, a editora Clean Feed publicou "Liturgy of the birds - In memoriam Olivier Messiaen". Em que um público mais vasto ficou a conhecer os resultados de uma aliança fascinante entre o esqueleto e os preceitos de um trio de jazz com métodos e linguagens da música contemporânea. Uma formação que orbita em torno do pianista Daniel Bernardes, cuja aprendizagem e interesses cruzam os dois idiomas estéticos acima enumerados, e cuja influência central, como se depreende pelo nome do disco, é a obra do compositor (e ornitólogo) francês Olivier Messiaen (1908-1992). Para interpretar as suas composições conta com António Augusto Aguiar no contrabaixo e Mário Costa na bateria, a que se juntam quatro elementos do Drumming Grupo de Percussão: Miguel Bernat (marimba), João Tiago Dias e Pedro Góis (vibrafone) e Jess Davies (glockenspiel). É esta a formação que hoje, a partir das 21 horas, encerra a programação de junho da Casa da Música, no Porto.

Regresso à América: na senda da tempestade levantada pela publicação da biografia de Philip Roth escrita por Blake Bailey, sob suspeita de agressão sexual a duas mulheres, a crítica e ensaísta Daphne Merkin evoca o seu relacionamento acidentado, ao longo de anos, com o autor de "Pastoral americana".

Surpreendente para um observador externo, a arte do vitral arranja formas de mergulhar na contemporaneidade. A revista britânica "The Face" revela o trabalho de dois artistas, Harry Duddridge e Esme Blegvad, de 24 e 30 anos, que se aplicam na criação de peças como uma reprodução da máscara do falecido rapper produtor MF Doom, painéis com vibradores ou composições mais abstratas.

A fechar, uma canção de Torres, "Don't go puttin wishes in my head", com a amplitude de quem quer abraçar o ar, servida por um vídeo de beatitude doméstica. São estes, tantas vezes, os extremos que se desejam.

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