Sugesões

Orgulho nos brancos do Douro

Orgulho nos brancos do Douro

Dois vinhos que são pouco conhecidos e que vão surpreender pela qualidade

Bairrista me confesso... Escrevo sobre o Douro! Não sobre vinho do Porto, nem vinho tinto, mas antes Douro branco. Exerço do enologia oficialmente (fez em agosto 25 anos) e já digo há algum tempo que o Douro tem três grandes regiões para vinhos brancos: Santa Marta de Penaguião, Sabrosa e Murça. Estas regiões estão sem qualquer dúvida em destaque, até porque muitos produtores se alimentam nestas! É assim o Douro.

Arrisco-me a dizer que "the next big thing in Douro..." serão os vinhos DOC Douro branco! Já estamos bem longe da qualidade irregular que encontrávamos nesta zona. Felizmente, hoje em dia já podemos mostrar os nossos brancos com orgulho.

Os dois vinhos que escolhi poderão ser pouco conhecidos, mas penso que nesta rubrica é suposto surpreender. Ambos provêm de vinhas a 500 metros de altitude, ambos são de dois amigos não enólogos de formação, mas que abraçam todo o ciclo de produção - da vinha à adega - e gostam de conhecer quem o consome.

Mais importante é a razão da escolha. Ambos são um tributo a duas senhoras. "Alice", que é o nome da tia avó da Luísa Borges da Vieira de Sousa, Vines & Wines, Lda., e "Mãe Maria", um tributo de Vítor Boal, da Primegrape, Lda., à sua mãe.

Alice Branco |2018 | pvp: 7,5€

O Alice 2018 provém de vinhas em Celeirós do Douro (Sabrosa), usando as castas rabigato, viosinho e gouveio, mostrando logo no nariz a frescura típica da altitude e das castas que lhe deram origem, principalmente a parte floral da viosinho e o frutado de polpa amarela da rabigato e da gouveio. Bela concentração em boca, uma excelente acidez pouco normal na categoria de preço. Um branco sério, que dá grande prazer beber a solo, pois é guloso, mas com enorme apetência gastronómica.

Mãe Maria Branco | 2018 | pvp: 17,5€

O Mãe Maria 2018 teve origem em vinhas de Murça e usou sete diferentes castas brancas. Essa diversidade trouxe grande dimensão ao aroma. Fruta bem madura, com domínio para o pêssego e ameixa amarela, com um fundo de tosta de madeira que o transporta a outro nível. Bom volume em boca, menos fresco que no nariz, e um conjunto que irá certamente ter um bom futuro em garrafa.

Dois belos brancos, para momentos diferentes!

Todos os domingos, na edição impressa, o JN dá-lhe sugestões de vinhos.