Cultura

Os leitores sobre Pina

Os leitores sobre Pina

Os leitores do Jornal de Notícias fizeram questão de homenagear Manuel António Pina quer na edição online, comentando a notícia da morte do escritor, quer enviando emails para a redação.

Começava sempre a leitura do JN pelo artigo de MAP "Por outras palavras".

Isto diz tudo e dispenso-me de adjetivos que nunca seriam suficientes para descrever este Homem.

Apresento os meus pêsames à família dele e ao vosso jornal e a mim mesmo.

António Alte da Veiga

Homem livre de bons costumes

Como ex assessor do saudoso Mario Cal Brandão , como leitor do JN foi com emoção que tomei conhecimento do desaparecimento de Manuel Antonio Pina.

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Homem livre de bons costumes, que pautou toda a sua vida em defesa de uma Pátria livre para todos.

Os mais desfavorecidos perderam um grande aliado, por todo o seu combate que travou toda a sua vida .

Obrigado Manuel Antonio Pina pelo exemplo a seguir por todos aqueles que acreditam nos valores da liberdade e da justiça social.

Jorge Santos

Um exemplo

Agradeço ao JN pela possibilidade de conhecer esse extraordinário escritor, poeta e jornalista que foi Manuel António Pina.

As suas crónicas e os seus artigos de opinião eram para mim um autêntico deleite, pela sagacidade, lucidez, irreverência e sobretudo, pela estatura intelectual que suscitavam.

Na minha modesta opinião, os seus escritos deveriam constituir um exemplo para muitos profissionais, para quem a deontologia não passa duma palavra vã.

Despedir-me-ei dele, com a convicção profunda de que, "A gente vê-se um dia por aí"

Paz à sua alma

Arnaldo Costa

Éramos íntimos sem nos conhecermos

Todos os dias o lia porque achava que me ajudaria a ser melhor cidadão do mundo, da minha cidade e da vida.

Mesmo quando dele discordava, falava para os meus botões, esgrimindo argumentos que proporcionaram conversas imaginárias e possibilitaram a nossa intimidade.

Acho que, muito honestamente, raramente ganhei na retórica a discordar dcele.

Era tão genuíno na defesa dos seus pontos de vista, que nos desarmava.

Gostava do seu olhar independente e critico sobre os problemas do quotidiano.

Gostava da sua alma de Poeta.

Gostava do seu sentir sobre o Porto e as suas gentes, nas quais me incluo.

Gostava da sua modéstia e da sua preocupação com os mais fracos e sofredores.

Gostava de o ler.

Agora, não haverá novidade nos seus escritos, mas fica-nos a atualidade deles.

Era ainda novo para partir, e deixar de escrever .

Fica uma enorme Saudade, e a certeza que muitos não o esqueceremos.

Que descanse em Paz, Manuel António.

Obrigado.

António Calheiros Ferraz

Foi a voz da nossa consciência

Manuel António Pina, além de ser um grande poeta e dramaturgo, foi um grande jornalista, homem de cultura, íntegro e atento a todos os grandes problemas deste país.

As suas crónicas na última página do JN fizeram de mim e de centenas ou de milhares de outros leitores habituais deste jornal.

Tinham tal impacto que eu me atrevo a compará-las às de Mário Castrim, na década de 60 e princípios da de 70, como a voz da consciência crítica e vigilante de uma sociedade meio adormecida e covarde.

É esta a razão por que quero deixar aqui público testemunho do sentimento de profunda perda que em mim a sua morte provocou, sentimento que, não tenho dúvida, se estende pelo país inteiro.

À família do falecido a minha homenagem e sentidos pêsames.

Jaime Gralheiro

Até sempre

E agora?!...

Que será da crónica dos dias, do encanto das musas e dos sonhos das crianças?!

A insensibilidade do absurdo tem destas trapalhadas!

Resta à eternidade repor o curso do tempo: por outras palavras, num mundo de pernas para o ar, escrever um homem de pé, Manuel António Pina.

Virgílio Matos

Um muito obrigado para mais um homem bom!

Mais um dos bons intelectuais e livres pensadores deste país deixou a vida terrena. Algo se perdeu e nós, leitores assíduos deste jornal, sabemos que quando algum homem bom e humanista, preocupado sempre com aqueles que nos rodeiam e com os mais esquecidos neste país, morre é um vazio que fica.

Mas também foi algo que nos preencheu, aos muitos milhares dos leitores do JN e da obra poética publicada e que fez de nós seres humanos mais ricos.

Um muito obrigado para todo sempre, mais um homem bom que fica nos nossos corações!

Mário Sousa

Carta ao Manuel António Pina:

Saltaste como um gato rumo à eternidade, Manuel António Pina. Sem olhar para trás com a ternura das palavras que sempre amaste e cultivaste.

Os gatos são como os poemas: deslizam pelas nossas casas com uma elegância sobrenatural e, nos teus livros, eles apoderavam-se do mundo com um sorriso. Líamos a tua crónica, no Jornal de Notícias, e sentíamos esse prazer da linguagem, que transforma cada crónica numa página inesquecível de Literatura.

Faz-nos falta esse sorriso no meio dos escombros. Essa vontade de ser leve, e de olhar do alto a pequenez das coisas.

A morte de um poeta e cronista extraordinário, é sempre a morte de um pedaço de esperança.

Porque não são os economistas que trazem esperança a ninguém , são os poetas com a sua insanidade saudável, que nos estimulam a ser outros, melhores, mais cultos, mais sonhadores, em vez da pardacenta sombra de homens em que, muitas vezes, nos tornamos.

Não te esqueças de escrever crónicas no céu, esperamos por elas. E, já agora poemas, que não pagam impostos, nem tem efeitos secundários como os anti-depressivos

Rui Miguel Gonçalves Marques

Tombou um gigante

Nestes dias sombrios que vivemos, em que a injustiça alastra, trazendo no seu pútrido ventre o desemprego, a fome, a miséria, a angústia, tombou agora um gigante que lhe fazia frente: Manuel António Pina.

Nas suas crónicas, sempre denunciou as suas formas mais perversas, mais subtis ou mais evidentes. Procurei nunca perder uma única, e foi ele o grande responsável por me ter tornado leitor assíduo deste jornal.

Portanto, para além de um grande poeta e um intelectual brilhante, Manuel António Pina, era um homem solidário e com profundas preocupações sociais. Perdemos, portanto, um dos nossos melhores. Fica o seu exemplo e a sua obra que nos enriquece e nos torna mais humanos.

Francisco Ramalho

"Continuarei a ler a partir da última página"

Há muitos anos que me habituei a ler o Jornal de Notícias a partir da última página.

Há tantos quantos o Dr. Manuel António Pina nela escrevia a sua crónica semanal "Por outras Palavras".

Embora há uma "eternidade", para mim, a crónica tivesse desaparecido, nunca perdi a esperança de voltar a lê-la, sobretudo porque, quase diariamente, o JN ia avisando que, por "motivo de força maior" (estou a citar de cabeça), a crónica não era publicada.

E esse aviso manteve-se, durante algum tempo, até que desapareceu de vez.

-Mau sinal...comecei eu a pensar...

Mas continuei a ler o jornal sempre de trás para a frente.

Hoje, já depois de ontem ter tomado conhecimento da partida do cronista, voltei a faze-lo.

Para surpresa minha, o diretor do JN, no mesmo espaço que era do escritor/poeta/jornalista/cronista, afirma que ali, na tal coluna, "Ninguém mais opina".

Compreendo tal homenagem a Manuel António Pina. Ele bem merece manter-se naquela última página.

Mas compreenderia melhor que o espaço a ele reservado fosse ocupado por quem esteja disposto a seguir o seu exemplo e, com a mesma coragem, limpidez e valentia, desancasse nas mentiras dos poderosos, nas vigarices dos poderosos e nos abusos dos poderosos.

Entretanto, eu continuarei a ler o JN a partir da última página.

Alberto Gonçalves

O fazedor de Auroras

Fazia mais de um ano que eu lia, diariamente, as crônicas do poeta, jornalista e escritor português Manuel António Pina, publicadas na página da internet do Jornal de Notícias de Portugal.

Impressionou-me nesse período sua lucidez e sensibilidade ao tratar de assuntos que iam desde os meandros e mistérios da criação literária até os angustiantes temas da atualidade, na Europa e no mundo. A coragem do jornalista convivia nele com o poeta inventivo.

Ficamos agora, seus inumeráveis leitores, sem a referência diária de seu pensamento, seu espírito e seu talento.

A palavra solidária de Manuel António Pina fará muita falta.

Jorge Finatto, Porto Alegre, Brasil

Poeta de alma

O autor de Poesia, Saudade da Prosa deixou-nos fisicamente. Mas a sua poesia fica na nossa companhia. Francisco José Viegas opinou que deve-se plantar uma árvore em sua memória. A árvore é a da solidariedade, igualdade e democracia. Poeta da alma, Pina teve uma grande intervenção social através dos seus escritos no jornal.

Ademar Costa

Letras de luto

Como Homem ligado às letras agarrava qualquer leitor. E quando não eram publicadas as suas habituais crónicas, muitos daqueles que o liam estranhavam o seu silêncio. Das suas crónicas publicadas no JN guardo na memória o melhor que tivemos nos últimos anos. A minha singela homenagem a esse Homem com quem aprendi...e muito. Que descanse em paz.

Mário da Silva Jesus

Que a luz do esplendor o ilumine

Eu já desconfiava, mas nem queria acreditar. Até cheguei a pensar que Manuel António Pina estava muitíssimo aborrecido com os maus deste seu país.

E mais valera que assim fora. Todavia, a sua sina foi desmedidamente brutal para com o puro e vero jornalista, poeta-escritor, o Homem de Letras que ora nos deixou.

Pelo menos, "por outras palavras", que a luz do esplendor o ilumine eternamente.

José Amaral

Uma pena livre

As saudades dele já eram muitas, e suspeitávamos de uma razão má para a sua ausência, que agora teve resposta. A pior que nos podiam dar. Tendo sido um autor dos mais respeitados e queridos dos leitores do JN, ficará para sempre um vazio neste jornal e um silêncio no espaço onde ele marcava presença. A sua sensibilidade, perspicácia, cultura, inteligência, constituíam um grau elevado de intervenção, que "por outras palavras" ninguém mais será capaz de ocupar. Contundente, polémico q.b, provocador até, mas uma voz escrita, uma pena livre, que ninguém dispensava, ou passava ao lado, e indiferente. Com o seu silêncio, o país emudece, de tanta dor, e chora. Paz à sua alma.

Joaquim A. Moura

Leitores mais pobres

Com uma ausência tão prolongada, comecei a temer o pior. E o pior, aconteceu. Mesmo quando discordava de António Pina, deliciava-me com as suas crónicas. Adorava a sua maneira de escrever. As minhas sinceras condolências aos seus parentes não esquecendo a família JN, leitores incluídos, que ficaram mais pobres. Um dia triste para todos.

Jorge Morais

Portugal ficou mais pobre

Por estes dias, as crónicas do Pina não ajudam a formar o tal ângulo que sustenta a realidade, e o café e a leitura do JN já não eram a mesma coisa: faltava algo na tertúlia diária, como uma linha de concordância que me aproximava dos amigos: já leste? Já! Outra vez demolidor! Já leste? Não! Então faz o favor porque é imperdível! Ler o Pina diariamente para além do prazer era também um dever.

As crónicas do Pina no JN eram uma delícia de análise quotidiana deste Portugal suave, mas injusto, com políticos e decisores que se acham demasiado importantes e sérios, e muitos não passam de sujeitos medíocres, que Manuel António Pina fazia cair no ridículo. As farpas do Pina eram certeiras e absolutamente necessárias num país que perde identidade, valores e sentido. Era um homem sem medo, frontal e desvinculado que fugia da mediocridade dos comentadores papagaios da nossa praça, pois muitos só dizem futilidades. Também sabia elogiar e diferençar o mérito e o sucesso e sobretudo destacar a coragem e a abnegação do povo.

Com a ausência de Manuel António Pina, Portugal ficou mais pobre porque é destes homens que o país precisa. Por isso, bem-haja pela maneira como usou as palavras para clarear a realidade, por escrever o que faltava dizer, e sobretudo por me fazer sentir que vale a pena ser português!

José Alegre Mesquita

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