Prémios

Os portugueses que venceram o Nobel e os que podiam ter vencido

Os portugueses que venceram o Nobel e os que podiam ter vencido

Os Prémios Nobel, em memória do químico e inventor sueco Alfred Nobel, premeiam as personalidades ou organismos que mais se destacaram ao longo de cada ano nas categorias de Física, Química, Medicina, Fisiologia, Literatura e Paz. Entre 1901 e 1966, 12 portugueses foram indicados para o galardão: dois ganharam, outros dez ficam na memória.

Egas Moniz

António Caetano de Abreu Freire Moniz, nascido em 1874, em Avanca, freguesia do concelho de Estarreja, foi o primeiro português a ser laureado com um Nobel.

Venceu na categoria de Medicina, em 1949, e partilhou o prémio com o fisiologista suíço Walter Rudolf Hess, com quem desenvolveu a técnica da leucotomia pré-frontal (agora chamada de lobotomia), que consistia na remoção da matéria branca que une os dois lobos frontais do cérebro. A cirurgia era usada para tornar mais fácil a vida de doentes de algumas doenças do foro psíquico, como esquizofrenia. Um dos principais argumentos que justificaram a atribuição do prémio à dupla Egas Moniz e Hess foi justamente "a descoberta do valor terapêutico da leucotomia em algumas psicoses".

Antes de vencer, o neurologista português já tinha sido indicado quatro vezes para a mesma categoria.

José Saramago

Nascido na Golegã, em 1922, no seio de uma família pobre e sem estudos, José Saramago tornou-se num dos maiores nomes da Literatura à escola mundial. O segundo e até agora último laureado português venceu o Nobel da Literatura, em 1998, por obras como o "Evangelho Segundo Jesus Cristo", "Memorial do Convento", "A Viagem do Elefante" ou "Ensaio Sobre a Cegueira", com esta a valer-lhe também o Prémio Camões, três anos antes.

Saramago, ateu e forte crítico da Igreja e da comunidade católica - que lhe retribuíam os julgamentos - viu vetada, por Cavaco Silva, a candidatura de "Evangelho de Jesus Cristo" ao Prémio Literário Europeu, em 1992. No ano seguinte, foi viver com a mulher, Pilar del Río, para a ilha espanhola de Lanzarote, nas Canárias, onde viria a morreu em 2010, com 87 anos.

Aldo Castellani

Nascido em Itália, em 1874, o patologista e bacteriologista Aldo Castellani, exilou-se em Portugal, nos anos 40, onde foi médico, investigador e professor no Instituto de Medicina Tropical em Lisboa. Ao todo, foi indicado 20 vezes para o Prémio Nobel de Medicina e Fisiologia, entre 1905 e 1953, mas só na última nomeação, em 1953, vivia em Portugal.

António Corrêa d'Oliveira

O autor de "Ladainha", obra de 1897, foi indicado para o Nobel da Literatura em nove anos diferentes, com um total de 15 nomeações, entre 1933 e 1942.

António de Sousa Pereira

O cirurgião, nascido em Penafiel, em 1961, foi diretor do Hospital de S. João e reitor da Universidade do Porto. Foi indicado uma vez ao Prémio Nobel da Medicina e Fisiologia, em 1953.

João Bonança

O jornalista, escritor e político João Bonança, nascido em 1836, em Lagos, foi indicado uma vez para o Nobel da Literatura, em 1907, por Teófilo Braga, de quem era amigo.

João Gonçalves Zarco da Câmara

Dramaturgo, escritor e jornalista, foi o primeiro português a ser indicado para um prémio Nobel, na primeira edição da cerimónia. João da Câmara, nascido em 1852 em Lisboa, foi indicado para o Nobel da Literatura, pela obra "Meia-noite", de 1900.

Júlio Dantas

Era médico, escritor e político. Foi indicado em 1950 e 1951 para o Nobel da Literatura, da segunda vez pela Academia Brasileira. Além de se ter tornado famoso pelas nomeações, Júlio Dantas é o destinatário do Manifesto Anti-Dantas, escrito por Almada Negreiros.

Maria Madalena Martel Patrício

Tanto quanto se sabe, é a única mulher na lista de portugueses indicados para os Nobel. Entre 1934 e 1947, foi indicada todos os anos, totalizando 13 vezes, na categoria de Literatura.

Miguel Torga

O poeta Miguel Torga, nascido em São Martinho de Anta em 1907, foi indicado sete vezes para o Prémio Nobel da Literatura, entre 1959 e 1966. Apesar de nunca ter ganho o Nobel, foi laureado com o Prémio Camões de 1989.

Sebastião Magalhães Lima

Sebastião Magalhães Lima foi o único português a ser indicado para o Nobel da Paz. O advogado, jornalista e escritor, fundador do jornal "O Século" e da Liga Portuguesa da Paz, fez parte da Geração de 70 e foi indicado em 1909 ao Prémio Nobel da Paz.

Teixeira de Pascoaes

Escritor e poeta do saudosismo, natural de Amarante, Teixeira de Pascoaes esteve indicado ao Nobel da Literatura por cinco anos, entre 1942 e 1948.

O processo de nomeação começa em setembro de cada ano, com o envio de cerca de três mil convites a membros de academias, professores universitários, cientistas, anteriores laureados e membros de assembleias parlamentares de vários países. Os candidatos sugeridos pelos convidados são depois selecionados, resultando numa lista de 250 a 300 nomes, sendo que nenhum potencial Nobel é informado de que está a ser considerado para o prémio - o nome dos indicados só é divulgado ao fim de 50 anos.

A lista de candidatos são enviados para as instituições responsáveis por escolher os vencedores em cada categoria: a Academia Real de Ciências da Suécia escolhe os prémios de Física, Química e Economia; a Academia Sueca de Letras está a cargo da Literatura; o Instituto Real Médico-Cirúrgico de Karolinska julga os trabalhos de Medicina; e o Parlamento Norueguês define o Nobel da Paz.

Depois, segue-se uma votação por maioria: os membros das instituições reúnem-se para escolher o laureado ou laureados em cada área. A decisão é anunciada imediatamente após a votação. Cada prémio Nobel pode ter no máximo três laureados.