Restrição

"Overbooking" lança mais dúvidas sobre espetáculos

"Overbooking" lança mais dúvidas sobre espetáculos

Com restrições à lotação, quem comprou bilhete arrisca não conseguir lugar. Salas e promotores procuram soluções.

Não faltam dúvidas sobre os moldes em que as salas de espetáculos vão poder funcionar, a partir de 1 de junho, mas há mais uma para apoquentar os responsáveis e agentes do setor e que tem consequências diretas para o público. Os espetáculos reagendados e que têm bilhetes já praticamente esgotados terão de se adaptar às restrições de lotação, o que significa que quem comprou ingresso não tem lugar garantido. E ainda não há uma resolução geral para estas novas situações de "overbooking" inesperado, que se vão multiplicar.

Com espetáculos reagendados já para julho, o Coliseu do Porto está a trabalhar para encontrar soluções. Ao JN, Mónica Guerreiro, presidente da instituição, assinalou a vontade de se "aliar aos promotores de modo a conseguir que os espetáculos aconteçam". "Nós existimos por essa razão", sublinhou, "e vamos ter de ir passo a passo".

Não é um puzzle fácil de resolver. Primeiro, porque o Governo e a DGS ainda não definiram todas as condições sanitárias para que os espaços possam funcionar. Depois, porque cada sala e espetáculo tem as suas particularidades.

No caso do Coliseu portuense, a intenção é estudar a reestruturação da sala, de modo a respeitar as regras de saúde impostas e conseguir lugar para todos, sempre em consonância com o produtor. Pode-se "tentar, por secções, relocalizar as pessoas, convidando-as a trocar, por exemplo, um bilhete de plateia, por um de tribuna", aponta Mónica Guerreiro.

Existem outras soluções, admitem outros promotores e responsáveis com quem o JN falou. A mais drástica será o cancelamento, embora haja muitos que a equacionam seriamente. Com uma lotação limitada a 50% ou 60%, um espetáculo pode deixar de ser financeiramente viável.

Aumentar récitas

Embora aumente os custos para os promotores, também se aventa a possibilidade de tentar agendar mais récitas, dividindo o público. O Coliseu dos Recreios está a ponderar esse cenário, nomeadamente para os concertos (já esgotados) que tem agendados para setembro, revelou Maria João Almeida, da direção comercial do espaço alfacinha. Outra das hipóteses colocada pelos diferentes agentes é simplesmente selecionar por ordem de compra e atribuir lugar a quem adquiriu o bilhete primeiro.

No Centro Cultural de Belém (CCB), a matéria ainda está a ser estudada, mas a solução passará pelo diálogo com os produtores. A administração da instituição, contactada pelo JN, prometeu novidades para breve. Para já, diz estar "em diálogo com os produtores externos que apresentam espetáculos no CCB por forma a assegurar a melhor solução para o público, de acordo com a legislação vigente". A Altice Arena, cuja agenda se reinicia já em junho, não quis responder às questões do JN.

Em Braga, a organização do festival de eletrónica Semibreve, que já vendeu boa parte dos passes gerais (e ainda tem procura por bilhetes), não tomou uma decisão. A questão tem sido falada internamente, porque o Semibreve continua agendado para outubro. Não há, contudo, decisão final, explica o programador Luís Fernandes, porque o Estado não forneceu "todos os dados que necessitamos para fazer uma avaliação concreta. Nem sequer temos as restrições exatas sobre quanto as salas vão ter a sua lotação diminuída e durante quanto tempo".

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