O Jogo ao Vivo

Arte do Dia

Palmas para Simone Biles

Jazz com memória e jazz no Minho. Uma nação ao espelho. Uma discoteca ao fundo do túnel. E a coragem de duas mulheres que batem o pé ao "business as usual".

Ao entrar-se pela primeira vez nos sete minutos de "Sounds from the ancestors", tema-título do novo álbum de Kenny Garrett, não se espera que o piano meditativo (tocado por Garrett, que é conhecido sobretudo como saxofonista) ceda o palco, ao fim de dois minutos, a uma eclosão de percussões, sax e cânticos ioruba (o piano há de regressar, de novo a sós, para o minuto final). Um maravilhoso livro de História escrito com sons.

Os quatro dias do festival Jazz na Praça da Erva, que vão de hoje até sábado 31, distinguem-se por duas razões não diretamente ligadas ao cartaz. Por um lado, trata-se da redonda 30.ª edição. Por outro, fruto da situação pandémica, a Praça da Erva que dá o nome ao evento será desta vez preterida, como epicentro musical, pelo Centro Cultural de Viana do Castelo. Cinco minutos a pé distam os dois locais no centro da cidade. Dada a efeméride, a organização descreve o programa de 2021 como "especial". Um programa que, à semelhança de outros encontros jazzísticos atuais, encaram o idioma de uma forma generosa. Hoje atuam O Gajo e o músico brasileiro Yamandu Costa. A 29 atuam Yanagui e o projeto Pimenta Caseira. No dia 30 conta-se com o duo de guitarras Par Azar e João Cabrita. O Jazz na Praça da Erva fecha no sábado com Grey City e o trio de Paula Sousa (piano), André Rosinha (contrabaixo) e Beatriz Nunes (voz) com o convidado Mário Franco (contrabaixo). Os concertos arrancam sempre às 20.30 horas, com entradas diárias a 5 euros.

A revista americana "The Atlantic" introduziu uma secção no seu site chamada "America in Person". Promete focar a atenção em "histórias que explicam quem somos". Para já, o perfil dos EUA faz-se olhando para quem ainda visita o Disney World, as inovações no sexo em tempo de pandemia ou a seita de evangelicos em crescimento mais acelerado.

O gesto de Simone Biles, a estrela mundial da ginástica artística, ao abandonar a equipa olímpica americana, será arte mas é sobretudo um gesto de coragem. Tal como a tenista japonesa Naomi Osaka e a recusa em participar na farsa das conferências de imprensa em Roland Garros em maio, são momentos de rutura que dão uma visibilidade crescente, e crucial, à supremacia da saúde mental sobre as narrativas pré-preparadas dos poderosos eventos desportivos e e respetivos braços mediáticos. Eren Orbey escreve sobre o assunto em "The radical courage of Simone Biles's exit from the Team USA Olympic finals", para "The New Yorker".

Enquanto se aguarda pacientemente pelo regresso da experiência comunitária do movimento na pista de dança, treine-se com "Dangerous", dos Hard Feelings, que junta Amy Douglas e Joe Goddard, dos Hot Chip. Tem suor, perfume e ecos de Róisín Murphy. Só coisas boas.

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