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Papillon: a borboleta do hip hop volta ao seu casulo

Papillon: a borboleta do hip hop volta ao seu casulo

"Jony driver", novo álbum dos rapper português, procura levar-nos numa densa viagem até ao seu passado

Quatro anos depois, a metamorfose recomeça. Papillon, nome artístico do rapper Rui Pereira, fechou, em 2018, o primeiro álbum "Deepak looper" com a segunda fase da metamorfose. Agora, a lagarta que se tinha emancipado volta ao casulo e o novo álbum "Jony driver" arranca com a primeira fase desta tão aguardada transformação. É a evolução do hip hop a acontecer diante de nós.

Com uma cadência mais lenta, rimas misturadas com vozes e uma atenção ao detalhe sonoro, com longos instrumentais, a "Metamorfose Fase 1" é a afirmação da segurança de Papillon - e não há dúvidas: as rimas indicam-nos que agora "quem está ao volante" é o próprio.

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Entrando no carro de Papillon, seguimos numa viagem ao seu passado, num álbum pensado estruturalmente, com início, meio e fim. Se o início fala de mudança, avançamos e, em "Desperta.", sentimos o que é a dor. O preconceito e a injustiça ficam para o "Corre da morte.". Mas há também amor e esperança, com "Fé." ou "Cria.".

Com inventividade e à semelhança do que alcançou com o primeiro disco, Papillon traz novas sonoridades para o hip hop português, inscrevendo-se, mais uma vez, na história. Sonoridades africanas, beats ritmados e sons eletrónicos são as grandes apostas. Os samples falados estão também presentes. O rapper demonstra a sua elasticidade vocal, acompanhando com mestria slows e beats rápidos. Os instrumentais têm o cunho do autor, que contou ainda com a colaboração de Holly, Slow J, Boss AC ou Charlie Beats, entre outros.

"Eu já não sigo o sonho, o sonho agora é que me segue a mim", afirma Papillon no final, na faixa homónima do álbum. Numa espécie de flashback sonoro, até com recurso ao som de reverse, a música "Jony driver" (palavra repetida até à exaustão na mesma) é embrulhada com uma conversa entre amigos e excertos de sons antigos de Papillon.

Se no primeiro trabalho de Papillon os "i" maiúsculos eram a referência de marca, "Jony driver." traz-nos agora pontos finais, presentes em todas as faixas interiores do álbum. Os pontos estão nos "i", disso não há dúvida.

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