Covid-19

Paris: teatro ocupado e muita contestação

Paris: teatro ocupado e muita contestação

Em Paris, o teatro L´Odéon está ocupado desde quinta-feira por trabalhadores das artes que exigem a reabertura de espaços culturais, incluindo museus, teatros e cinemas, bem como mais ajuda financeira. Os 50 intermitentes que se encontram na instituição dizem que é impossível seguir com a "cultura do sacrifício".

A Ministra da Cultura francesa, Roselyne Bachelot, foi ao local na noite de sábado e partilhou no Twitter: "Fui ao @TheatreOdeon hoje à noite, ocupado há 3 dias. Entendo as preocupações, em particular sobre as consequências do Ano Branco: eles sabem disso, o meu objetivo é continuar a proteger o emprego artístico tanto quanto necessário. Continuaremos as nossas discussões. #odeon".

Mas, o seu gesto não demoveu os manifestantes. Após terem feito as suas reivindicações, reclamaram "Esperam-se palavras e ações" especificando que a ocupação do teatro L´Odeón continuará até que sejam dadas respostas concretas.

Até esta segunda-feira nenhuma data de reabertura foi mencionada. No entanto, a organização de concertos-teste poderá permitir dar mais horizontes às decisões em curso no Ministério da Cultura francês sobre a continuação do "Ano Branco".

Um ano sem cultura, o "Ano Branco"

Esta segunda, em Bruxelas a Pearle Live Performance Europe, federação europeia que representa, por meio de seus membros, mais de 10 mil teatros, companhias de produção de teatro, orquestras e conjuntos musicais, casas de ópera, companhias de balé e dança, festivais, salas de concerto e outras organizações dentro das artes performativas e setor da música em toda a Europa, divulgou uma carta em forma de apelo a todos os membros da União Europeia.

Este aniversário não é para ser comemorado. Em toda a UE, diz a federação, o setor cultural foi o primeiro a ser confinado em março de 2020 e parece ser o último a reabrir. Para numerosos setores e profissionais, foram encontradas e ouvidas isenções, ao passo que na UE, diz a Pearle,, os estados-membros e as autoridades públicas locais ainda se abstêm de apresentar uma estratégia e um plano genuínos.

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O número provisório da pandemia é pesado para o setor: como revelou o estudo da consultora EY "Reconstruir a Europa", as artes performativas e a música são as mais atingidas, com quebras de receita estimadas de 90% para as artes performativas e 75% para a música.

No seu apelo, a Pearle alega que "estudos científicos sobre medições de aerossol e CO2, como [o] conduzido pelo Instituto Fraunhofer Heinrich-Hertz, na Alemanha, indicam que salas de concerto e teatros não são locais de infeção". O estudo conclui que numa primeira fase de reabertura pode-se recomendar pelo menos 50% da capacidade, com uma disposição do público tipo tabuleiro de xadrez, como aconteceu em Portugal até ao novo confinamento geral . No entanto, é lembrado que o setor deve ser capaz de operar novamente em plena capacidade para conseguir sobreviver.

Em outubro de 2020, a Pearle exortou a UE e os estados-membros a dar um futuro à cultura através de um plano de recuperação baseado em três pilares: sobreviver, investir, resiliência. Mas dizem que "por falta de perspetiva, muitos artistas talentosos e trabalhadores qualificados estão a deixar o setor. Além disso, as organizações de performance ao vivo são incapazes de planear com antecedência de forma realista, o que prejudica qualquer perspetiva de um reinício rápido".

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