Cultura

Patti Smith: "A liberdade é uma conquista mental"

Patti Smith: "A liberdade é uma conquista mental"

Da última vez que a vimos em Portugal, Patti Smith levou menos de três minutos a conquistar a encosta de Coura, um concerto para a posteridade.

Foi num domingo de 2019, num concerto-comício-homilia que nos pediu para sermos livres. Ainda não havia pandemia, só um mundo político em erosão, Trump à cabeça.

Este fim semana, a "madrinha do punk", poeta laureada, ativista incansável, figura histórica da cultura do século XX e XXI, deu uma longa entrevista ao diário espanhol "El Pais", em que diz ter aprendido, com a covid-19, que a liberdade é uma conquista mental.

"Não parei de sentir-me livre durante a pandemia, apesar de estar presa. É um privilégio, uma conquista mental que se alcança quando levamos a vida a não atrapalhar ninguém, dedicados apenas ao que nos faz crescer como pessoas."

Podia ser esse o bilhete de identidade de Patricia Lee Smith, uma "sobrevivente" de 73 anos, que superou a fome - "Cresci num ambiente com falhas materiais, não com falhas mentais", diz, num elogio aos pais que a educaram sem preconceitos -, a ausência de estudos superiores - como se precisasse quem teve como mestres os escritores William Burroughs e Allen Ginsberg -, e a morte dos grandes amores da sua vida - "o fotógrafo Robert Mapplethorpe (1946- 1989), o dramaturgo Sam Shepard (1943 - 2017) e o marido e guitarrista Fred Sonic Smith (1948- 1994).

Patti Smith venceu tudo com o mesmo peito que continua a dar às balas de todas as vezes que sente ser preciso. Voltou a ser assim nas últimas eleições americanas. Saiu para a rua, cantou e encorajou as pessoas para que fossem exercer o seu direito de voto.

"Dificilmente podemos mostrar o amor se não mostrarmos a raiva", profetiza. "A raiva costuma ser o resultado da busca pela verdade. É por isso que as pessoas protestam na rua. A música serve para comunicar essas emoções."

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Apesar de tudo indicar que o Joe Biden será o o 46º presidente dos Estados Unidos da América, a autora do seminal "Horses" não embandeira em arco. "É preciso dar muitos passos para conseguir ser livre." Na entrevista, promete continuar a dar passos "até aos 93 anos". "Não peço desculpa por ser quem sou. Quando sinto raiva de Trump ou de outros ditadores de outros países, saio à rua e protesto."

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