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Peça-sensação do Festival de Avignon estreia no Rivoli

Peça-sensação do Festival de Avignon estreia no Rivoli

Próxima temporada do Teatro Municipal do Porto arranca a 16 de setembro e inclui mais de 100 espetáculos.

Não fora a pandemia e a bailarina e coreógrafa Marlene Monteiro Freitas (Cabo Verde, 1979) teria sido a estrela maior da última temporada do Teatro Municipal do Porto (TMP). O ciclo que lhe estava dedicado acabou abreviado e "Mal - Embriaguez Divina", a mais recente criação da artista distinguida com o Leão de Prata de Veneza em 2018, não chegou a subir ao palco.

A nova temporada do TMP, que arranca a 16 de setembro com um custo global de 1,7 milhões de euros, colmata essa ausência com o reagendamento dessa "missa negra" sobre os males do mundo inspirada em "A Literatura e o Mal" de Georges Bataille (dias 30 de setembro e 1 de outubro).

Mas quem abre o novo round de espetáculos - até julho de 2022, serão apresentados 118, metade dos quais de artistas que trabalham a partir da cidade e 22 internacionais - é o coreógrafo Jan Martens (Bélgica, 1984), que rendeu a crítica e o público na última edição do Festival de Avignon, em França, com o espetáculo "Any Attempt Will End in Crushed Bodies and Shattered Bones" ("Qualquer tentativa terminará em corpos esmagados e ossos quebrados").

"Agarrou, fascinou, abalou e arrebatou", escreveu o diário "Le Monde" sobre essa peça para 17 bailarinos que coloca o foco num conjunto de movimentos que ergueram pessoas no mundo todo, como o Black Lives Matter. Não menos importante, a banda sonora da peça conta com a performer-poetisa britânica Kate (agora Kae) Tempest. Em Portugal, o espetáculo vai estrear-se no Porto, em sessão única, a 18 de setembro.

Jan Martens, que esteve no Rivoli em 2015, é apenas um dos vários vários artistas a regressar ao TMP. Este ano regressam também a francesa Maguy Marin (que remonta a 24 e 25 de setembro a peça de 2003 "UMWELT"), o grego Dimitris Papaioannou ("Transverse Orientation, a 3 e 4 de dezembro) ou o brasileiro Marcelo Evelin ("Povo da Mata", a 3 e 4 de junho de 2022). O alemão Raimund Hoghe (1949-2021), que tantas vezes passou pelo Porto, será alvo de homenagem em março do próximo ano.

Estreias de criadores nacionais

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"A nova temporada traz nomes incontornáveis da dança e aposta em novas criações de artistas do Porto", sublinhou, ao JN, Tiago Guedes, diretor do TMP, que apresentou a nova temporada, esta quarta-feira, no Teatro do Campo Alegre, ao lado do presidente da câmara e vereador da Cultura Rui Moreira.

Nesse conjunto alargado de estreias de artistas nacionais encontram-se, por exemplo, a coreógrafa Né Barros que se junta ao Ensemble - Sociedade de Actores para apresentar "A História do soldado", de Igor Stravinsky e C. F. Ramuz (6 a 9 de outubro), o encenador Paulo Mota ("Buffalo Bill", a 5 e 6 de novembro) e Vera Mantero ("O Susto é um Mundo (18 e 19 de novembro). Jonathan Uliel Saldanha, artista associado do teatro, fará a sua terceira intervenção.

A programação nacional contará ainda com projetos de Cleo Diára, Isabél Zuaa e Nádia Yracema, Diogo Freitas / Momento - Artistas Independentes, Teatro Experimental do Porto (com os chilenos Teatro La Maria), Companhia Nacional de Bailado, Diana Sá, Jorge Andrade / mala voadora, Marco Martins, Nuno Lucas (com o francês Joris Lacoste) ou Teatro Praga (com a Orquestra Sinfónica Metropolitana).

"Maria do Mar" e Sassetti, 21 anos depois

No âmbito da 8ª edição do do festival de Cinema Porto Post Doc (18 a 28 de novembro), o TMP exibirá "Maria do Mar", filme de José Leitão de Barros (1896-1967) sobre os pescadores da Nazaré, com banda sonora de Bernardo Sassetti (1970-2012). Em certo sentido, é também um regresso a casa, uma vez que foi na sala principal do Rivoli que há 21 anos o compositor apresentou a partitura que haveria de acompanhar o filme.

As "Quintas de Leitura", ciclo de poesia a celebrar 20 anos, terão três sessões na próxima temporada (14 de outubro, 4 de novembro e 16 de dezembro).

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