Cultura

Pepetela vence prémio Correntes d'Escritas

Pepetela vence prémio Correntes d'Escritas

"Sua Excelência, de Corpo Presente", de Pepetela, é o grande vencedor do Prémio Literário Casino da Póvoa. O escritor angolano de 78 anos, galardoado, em 2017, com o Prémio Camões, partilhava a lista de 15 finalistas com nomes como Mia Couto, Lídia Jorge e Mário Cláudio.

"O júri destaca a originalidade do estratagema narrativo eficaz para denunciar com ironia uma história de nepotismo e abuso de poder própria de sistemas totalitários", explica a declaração de voto, assinada pelos jurados Ana Daniela Soares, Carlos Quiroga, Isabel Pires de Lima, Paula Mendes Coelho e Valter Hugo Mãe.

O quinteto foi ainda sensível "à dimensão antecipativa de ficção do autor, que estabelece fortes pontos de contacto com a realidade atual".

O escritor angolano não marcará presença no evento, por estar a recuperar, em Luanda, de um problema de saúde, que o impede de viajar, mas fez chegar à organização uma mensagem de agradecimento. "Ficou muito feliz por me ter sido atribuído o prémio, agradeço à organização e ao júri por esta honra e pelo encorajamento para persistir na escrita", transmitiu Pepetela.

O Prémio Casino da Póvoa, no valor de 20 mil euros, é atribuído no âmbito do Correntes d"Escritas - Encontro de Escritores de Expressão Ibérica, que começa esta quarta-feira na Póvoa de Varzim e se prolonga até domingo. A concurso estiveram 120 obras, na categoria de novela/romance.

"A Transparência do Tempo", de Leonardo Padura, "Bilac vê estrelas", de Ruy Castro, "Cair para dentro", de Valério Romão, "Ecologia", de Joana Bértholo, "Estuário", de Lídia Jorge, "Fabián e o Caos", de Pedro Juan Gutiérrez, "Memórias Secretas", de Mário Cláudio, "Ninguém Espera por Mim no Exílio", de João Paulo Sousa, "O Bebedor de Horizontes", de Mia Couto, "O Centro do Mundo", de Ana Cristina Leonardo, "O Invisível", de Rui Lage, "O Nervo Ótico", de Maria Gaínza, "Pátria", de Fernando Aramburu, "Sua Excelência, de Corpo Presente", de Pepetela, e "Também os brancos sabem dançar", de Kalaf Epalanga, foram os 15 finalistas.

Em 2019 - ano impar e, por isso, dedicado à poesia - venceu o prémio Luís Quintais com o livro "A Noite Imóvel".

O livro foi escolhido entre 15 finalistas de um total de 120 obras candidatas a este prémio literário.

Outros prémios

No que toca à literatura juvenil, o Prémio Correntes d"Escritas Papelaria Locus vai atribuído, por unanimidade, a "Relógios Parados", de Ana Sofia Franco Trigo. No conto infantil ilustrado o grande vencedor foi "A Tempestade no Rio", dos alunos do 4.º C da Escola Básico da Venda do Pinheiro. O 2.º lugar foi para "Os Ponteiros Apaixonados", da EB1 Eng. Luís Santos Costa, do Machico (Madeira) e o 3.º lugar para "A Mala da minha professora", do Colégio Paulo VI, em Gondomar.

Finalmente, o Prémio Fundação Dr. Luís Rainha, destinado a uma obra sobre a Póvoa, foi para "Ala Ala Arriba", de Álvaro Manuel Oliveira Maio.

Este ano, a literatura catalã estará "em grande" no Correntes. São nove dias de festa, 100 escritores de 14 países, 11 mesas de debate, lançamentos de livros, exposições, cinema, concertos, visitas de escritores às escolas, ações de formação para professores, residências literárias, uma feira do livro e atividades para a pequenada.

À tarde, o arquiteto Álvaro Siza Vieira é o convidado para abrir o "maior e mais antigo festival literário do país".

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