Música

Percurso pela sonoridade lusófona com Rua das Pretas

Percurso pela sonoridade lusófona com Rua das Pretas

Pierre Aderne, Karla da Silva e Nilson Dourado abriram a porta do seu património musical na redação do JN.

"Adoro redações. São um espaço criativo e espero melhorar a tarde dessas canetas nervosas." Foi com esta simpatia que o músico Pierre Aderne atuou ontem à tarde, com o seu projeto Rua das Pretas, na redação do "Jornal de Notícias" no Porto.

"Quando a gente ouve uma música em inglês não está à procura da bandeira, de saber se eles são da Nova Zelândia, de Inglaterra ou do Canadá. Deveríamos pensar o mesmo sobre a música da lusofonia, banhada de bossa, morna, coladeira, fado, funaná e cirandas", diz acerca do seu projeto de música lusófona que passará pelo Coliseu Porto Ageas a 7 de abril.

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O formato é uma réplica pública do que acontecia na sua casa, em Lisboa, na Rua das Pretas, onde amigos se juntavam com vinho e "comidinhas" para tocar. Pela sua sala de estar passaram Tito Paris, Jorge Palma, Sara Tavares, Paulo Praça, Selma Uamusse, Luísa Sobral, Caetano Veloso, Carminho.

Durante o confinamento, o coletivo lusófono de artistas com Pierre Aderne como anfitrião ficou três meses no Coliseu dos Recreios, numa residência artística, com concertos sem a presença do público, transmitidos pela RTP 1 em 12 episódios.

Na redação do JN, onde atuou acompanhado de Karla da Silva e Nilson Dourado, tocaram "Vida de estrela", "Uma casa portuguesa" com arranjo de João Gilberto, e "A sombra do meu chapéu" com um toque de Martinho da Vila. Uma escolha feita na hora. De resto, o repertório de cada apresentação é sempre decidido no momento. "Quando saímos para jantar podemos pensar que vamos comer uma francesinha e beber um Douro e acabar por beber uma caipirinha com uma empada de camarão."

Antes deste projeto, Pierre Aderne, filho de pai português e mãe brasileira, nascido em Toulouse, França, diz que o seu "Deus era João Gilberto e a minha Nossa Senhora de Fátima era Vinicius de Moraes". Agora tem "a certeza que a minha música é abençoada pela Cesária Évora", diz, entre risos.

Música fermentada

Nestes concertos, que diz serem de "música fermentada", o vinho é uma componente essencial. No Coliseu Porto haverá uma garrafa de vinho desenhada e produzida para a ocasião e servida ao público. O rótulo, que tem o desenho de um homem e uma mulher que se abraçam, com braços como garfos, é da autoria do artista Ruben Grilo. A Wineconcept juntou-se à iniciativa e deste lote podem ser comprados, a partir de dia 7, em garrafeiras do país, 5 mil unidades, cada uma delas com um código QR que dá acesso ao disco, para que a experiência seja total.

No Coliseu a disposição da sala será em arena, com todas as pessoas, público e artistas, sob a mesma luz. Para cortar com "o lado frio da música".

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