1948-2021

Personalidades reagem à morte de Julião Sarmento

Personalidades reagem à morte de Julião Sarmento

Assim que a notícia da morte do artista plástico Julião Sarmento se soube, esta terça-feira de manhã, as reações não se fizeram esperar.

O artista plástico Julião Sarmento, um dos mais internacionais artistas portugueses, morreu hoje, em Lisboa, aos 72 anos.

Numa mensagem publicada no sítio oficial da Presidência da República na Internet, Marcelo Rebelo de Sousa apresenta "sentidas condolências" à família de Julião Sarmento, que descreve como "um dos mais talentosos, produtivos e generosos artistas portugueses das últimas décadas".

"Dele lembraremos a modernidade provocante das sucessivas séries, muitas delas à volta da figura feminina, da palavra literária ou do cinema; o seu alinhamento com o novo e o vibrante; a sua presença ímpar no nosso tempo e no nosso imaginário, que nos ajudou a ser deste tempo e a imaginá-lo", afirma o chefe de Estado.

Nesta nota de pesar, lembra-se que, "vindo da Escola de Belas-Artes, Julião Sarmento trabalhou na Secretaria de Estado da Cultura logo após a Revolução, contribuindo para a reconfiguração das práticas artísticas em Portugal, e foi um dos nomes escolhidos por Ernesto de Sousa para uma exposição que fez época, a Alternativa Zero, em 1977".

"Por essa altura, já usava os mais diversos registos, sobretudo a pintura, o desenho e o vídeo, e já estava atentíssimo ao contemporâneo, a correntes, conceitos, cruzamentos, modos de produção e difusão. Nas décadas seguintes, tornar-se-ia o mais internacional dos artistas portugueses", lê-se na mensagem.

No texto, destaca-se que Julião Sarmento expôs "em galerias e museus europeus, americanos, japoneses" e participou "nas Bienais de Veneza e de São Paulo e na Documenta de Kassel".

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"Também se notabilizou como colecionador e curador, deixando um importante acervo que emprestou à cidade de Lisboa e será exposto em breve, dando provas de abertura e entusiasmo, nomeadamente com as gerações mais jovens", acrescenta-se.

"Lamento profundamente a morte de Julião Sarmento. Fazendo parte de uma geração cosmopolita que renovou a prática artística nos anos 1980, Sarmento deu um importante contributo para a internacionalização da arte portuguesa. As mais sentidas condolências à sua família e amigos", escreveu António Costa na sua conta pessoal na rede social Twitter.

Julião Sarmento foi um "dos mais internacionais artistas portugueses, com uma obra diversa, transversal e que se destaca pelo seu trabalho sobre o corpo e o desejo, num erotismo simbólico e subtil que é o grande motor da sua criatividade", assinalou a ministra Graça Fonseca numa publicação na conta de Twitter do Ministério da Cultura.

Isabel Mota, da Fundação Gulbenkian, recorda-o como "um amigo pessoal, mas sobretudo da Fundação, um dos mais carismáticos artistas nacionais cujo percurso foi acompanhado de muito de perto, através de inúmeras exposições individuais e coletivas".

Isabel Mota sublinha que a Gulbenkian se orgulha de incluir no acervo do Centro de Arte Moderna (CAM) "obras excecionais representativas do trabalho do Julião Sarmento ao longo de décadas, que o colocam no centro da produção artística contemporânea internacional".

A Galeria Cristina Guerra divulgou também um comunicado, no qual confirmou a morte do artista, "com enorme tristeza", apontando-o como uma "figura central da arte portuguesa desde os anos 1970".

Julião Sarmento "foi o primeiro artista da sua geração a alcançar um amplo reconhecimento internacional, expondo em inúmeros museus e eventos de prestígio". O autor "afirmou-se como um dos grandes intérpretes e pensadores no contexto da arte, e a sua vida e obra refletem uma dedicação total ao meio artístico e à arte contemporânea", sublinha a galeria.

Guta Moura Guedes, diretora artística da experimentadesign, disse que a perda do artista "deixa um vazio sem fim".

No seu trabalho, combinava vários suportes, desde a pintura, a fotografia, o desenho, o vídeo, o som e a performance.

O jornal espanhol "ABC" refere-se ao artista português como "farol da mais atual criatividade portuguesa. Devedor do design gráfico e intérprete de tendências aparentemente contraditórias, o arquiteto de uma obra intensa nunca esqueceu a expressão transbordante através das mais diversas linguagens: fotografia, colagem, pintura, escultura".

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