Teatro

"Pranto de Maria Parda": racismo e feminismo no D. Maria II

"Pranto de Maria Parda": racismo e feminismo no D. Maria II

Espetáculo com encenação de Miguel Fragata a partir de texto de Gil Vicente apresenta-se até 5 de novembro na Sala Estúdio do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.

"Pranto de Maria Parda" tem como figura central Maria Parda, interpretada por Cirila Bossuet. Uma personagem que é uma "mulher racializada", como descreve Miguel Fragata.

Segundo o encenador, a peça resulta de um desafio lançado pelo D. Maria II e tem como objetivo fazer a comparação entre "o rescaldo do ano terrível de 1521" e a situação pandémica que se vive em 2021.

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O texto convoca "uma mulher que se passeia pelas ruas, que não reconhece a cidade e já não tem lugar nela. No fundo, ela é convidada a sair". A obra "propõe um ritual sacrificial, em que se tem que matar Maria Parda para se poder avançar", o que proporciona o lançamento de questões sobre racismo e feminismo que são exploradas "profundamente".

Em conjunto com Miguel Fragata, Capicua e Chullage (aliás, Xullaji) criaram músicas inéditas. Artistas escolhidos porque "Chullage, na sua condição de homem racializado, pensa sobre essa questão e a relação com a cidade. E a Capicua, na sua condição de mulher e de feminista, aborda um pouco esse campo".

Para Fragata, "Maria Parda é a personificação de todos os males, de todos os vícios. É como se ela em si fosse o ano mau, que é preciso terminar para entrarmos num novo ciclo".

O encenador entende ser importante trabalhar sobre temas urgentes, que sejam um reflexo do presente. Com o intuito de facilitar a compreensão, atualizou-se a linguagem vicentina.

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