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Precariedade domina eleições para Ordem dos Arquitetos

Precariedade domina eleições para Ordem dos Arquitetos

Os arquitetos vão a votos entre 17 e 26 de junho para escolherem os órgãos nacionais e regionais da Ordem para o triénio 2020-2022. Duas listas saem dos atuais órgãos sociais, outras duas oferecem-se como alternativas. Todas reclamam uma maior valorização da profissão e a grande maioria tem dúvidas sobre como vai ser possível instalar cinco novas secções regionais no território. Há centenas de candidatos envolvidos e dezenas de propostas dirigidas aos 26 mil inscritos na Ordem. O JN conversou com os quatro cabeças de lista.

Lista A Uma Ordem presente

Idade: 51 anos

Dar continuidade à descentralização em curso, aproximando a Ordem dos Arquitetos (OA) do território. É esta a prioridade da Lista A, liderada pelo atual número dois da direção de José Manuel Pedreirinho. Por descentralização entenda-se o novo Regulamento de Organização e Funcionamento das Estruturas Regionais e Locais (ROFERLOA), aprovado em dezembro, que vai acrescentar às secções regionais existentes (Norte e Sul) outras cinco (Centro, Alentejo, Algarve, Madeira e Açores). "Os nossos principais interlocutores são os municípios e há 308 em Portugal. É inimaginável o regulador estar bipolarizado em Lisboa e Porto", defende Fortuna do Couto. Apoio jurídico reforçado e um novo quadro regulatório de honorários, carreira e direitos de autor estão também na mira da Lista A "para retirar a profissão da precariedade".

Lista B A Ordem és Tu

Idade: 42 anos

Está à frente da Secção do Norte desde 2014 e diz que é tempo de "criar um futuro para a profissão". A base será o Plano Estratégico para o Setor da Arquitetura encomendado à Universidade do Minho. "Como a atual direção nacional não definiu [esse plano] como a sua missão, as secções regionais [Norte e Sul] juntaram-se e, com um grupo de arquitetos alargado, resolvemos candidatar-nos", conta. Para a Lista B, a ideia-chave é "viabilizar a profissão economicamente". Além de serviços dirigidos aos arquitetos (como um Fundo de Pensões), propõem medidas de valorização do setor, como a fixação de preços mínimos por tipologia de projeto. Crítica do modelo do ROFERLOA, Cláudia Costa Santos deixa em aberto a hipótese de estudar "um modelo mais eficiente". E diz que a habitação "vai ser o tema dos próximos anos", cabendo à OA promover esse debate.

Lista C Isso aí vai com todos

Idade: 79 anos

Com uma carreira reconhecida, Gonçalo Byrne hesitou antes de aceitar liderar uma lista à OA. Avançou na convicção de que era preciso uma lista unificadora. Num discurso tão conciliatório quanto crítico, o líder da Lista C opõe-se ao que considera serem as "listas divisionistas" saídas dos atuais órgãos sociais da OA, defendendo uma estratégia de "abertura" e de "diálogo". O objetivo é combater a "precariedade" e o que chama de "gradual apagamento do papel da arquitetura" na sociedade, reclamando espaço "no planeamento do território, no planeamento urbano, na própria gestão da cidade". O arquiteto lembra também que a atual discussão sobre a habitação "é uma janela de oportunidade" para a classe e quer que o congresso da Ordem se debruce sobre o ambiente e as alterações climáticas. Deixou ainda um apelo à participação "massiva" nas eleições.

Lista D Arquitetura Perto D | Arquitetura Perto

Idade: 47 anos

A Lista D tem na base um coletivo com três anos que reclama da OA mais visibilidade no espaço público e "uma atitude mais proativa" na resolução dos problemas da profissão. Ao nível dos concursos públicos, defendem uma Revisão dos Códigos dos Contratos para promover o critério "do melhor projeto" sobre o do preço, numa preocupação que é transversal a todas as candidaturas. É preciso defender "uma prática digna" de uma profissão que, dizem, está subvalorizada: "Esta semana descobri uma grande superfície que vende serviços de arquitetura como latas de tinta. Com um valor fixo por divisão. É o melhor exemplo do ponto a que chegamos", critica Célia Gomes. A estrutura quer ainda "trazer a ecologia para o debate" e assume dúvidas sobre a "viabilidade financeira" do ROFERLOA. Ao contrário das outras, a D só apresenta candidatos a quatro das sete secções regionais.

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