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Prémio Rómulo Gallegos para argentino Ricardo Piglia

Prémio Rómulo Gallegos para argentino Ricardo Piglia

O escritor argentino Ricardo Piglia foi, quinta-feira, distinguido com o Prémio Internacional Rómulo Gallegos, pelo romance "Blanco Nocturno", que será publicado em Outubro em Portugal pela Teorema.

O livro do argentino - que em português terá como título "Alvo Noturno" -- foi escolhido de entre 12 finalistas por um júri composto pela escritora mexicana Carmen Boullosa, o vencedor do ano passado, o colombiano William Ospina, e o escritor venezuelano Freddy Castillo Castellanos, que anunciou o vencedor hoje, na sede da Casa de Estudos Latino-Americanos Rómulo Gallegos, em Caracas.

Com este prémio, que consiste num diploma e numa bolsa de 260 mil bolívares fuertes (41 700 euros), Piglia junta-se à lista de vencedores de edições anteriores, entre os quais se contam o mexicano Carlos Fuentes e dois Nobel da Literatura: o peruano Mario Vargas Llosa e o colombiano Gabriel García Márquez.

"Alvo Noturno" é, segundo o autor, "um romance de personagens" sobre a vida numa aldeia que se altera quando, em 1972, a ela chega Tony Durán, um porto-riquenho mulato com os bolsos cheios de dólares obtidos de forma duvidosa, que se envolve numa relação com as irmãs gémeas Ada e Sofia Belladona, meninas bem lá do sítio, e é assassinado, colocando o nome daquela família nas bocas do mundo.

Esse triângulo amoroso servirá de mote para contar o resto da história da família Belladona, que inclui um avô coronel, dois irmãos varões, Lucio e Luca, donos de uma fábrica em ruínas e marcados pela tragédia, um padre confinado a uma cadeira de rodas e abandonado por duas mulheres -- a primeira fugiu com um encenador, a segunda fechou-se em casa a ler de manhã à noite --, e as versões revistas e aumentadas das suas andanças, relatadas pelos paroquianos no Club Social ou na mercearia de Madariaga.

Ricardo Piglia, nasceu em 1940 em Adrogué, uma província de Buenos Aires, licenciou-se em História na Universidad Nacional de la Plata e é actualmente professor de Literatura Latino-Americana na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos.

Começou em 1957 a escrever um diário que, com a passagem do tempo, se tornou lendário no universo literário de língua espanhola e cuja publicação o diário espanhol El País iniciou em Janeiro deste ano, no suplemento Babelia.

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Descreveu-o assim aos leitores: "São breves e luminosas peças literárias e de conhecimento sobre as suas vivências, as suas inquietações, as suas reflexões, os seus sonhos, as suas especulações, as suas teorias, as suas emoções. Fragmentos inéditos da sua vida e dos latidos da Vida".

Em Portugal, estão editados os seus romances "O Último Leitor" e "A Cidade Ausente", ambos pela Teorema, e "Dinheiro a Arder", pela Temas e Debates.

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