Cultura

Presidente dos EUA elogia o arquitecto Souto de Moura

Presidente dos EUA elogia o arquitecto Souto de Moura

O presidente norte-americano afirmou esta quinta-feira que Eduardo Souto de Moura, prémio Pritzker 2011, "redefiniu as fronteiras da sua arte", a arquitectura, servindo simultaneamente o "bem público", comparando-o com um dos 'pais' dos Estados Unidos, Thomas Jefferson. Leia o discurso do Barack Obama.

Discurso de Obama a Souto Moura

"Bem, obrigado Tom por esta apresentação. Obrigado a toda a família Pritzker pela vossa amizade e incrível generosidade em relação a tantas causas. Quero dar igualmente as boas-vindas ao corpo diplomático aqui presente, assim como ao secretário Arne Duncan.

Em meu nome e no da Michelle, quero começar por congratular o vencedor desta noite, Eduardo Souto de Moura. Quero igualmente prestar o meu reconhecimento ao júri do prémio, que acredito tem a difícil tarefa de escolher um entre tantos arquitectos excepcionais do mundo inteiro.

E, como disse Tom, o meu interesse pela arquitectura vem de há algum tempo. Em determinada altura pensei que podia vir a ser um arquitecto, mas teria de ser mais criativo do que acabei por me revelar, pelo que tive de enveredar pela política (risos).

E como os Pritzkers e muitos outros podem confirmar, quando se gosta de arquitectura um dos melhores lugares para viver é a minha cidade natal, Chicago (aplausos). É o local de nascimento dos arranha-céus - uma cidade cheia de edifícios e espaços públicos desenhados por arquitectos como Louis Sullivan, Frank Lloyd Wright e Frank Gehry, que se encontra aqui esta noite.

Na verdade, a sede da minha última campanha encontrava-se num edifício desenhado por Mies Van der Rohe. E, ao longo de dois anos, enchemo-lo de centenas de pessoas que trabalhavam dia e noite e sobreviviam somente com pizza (risos). Não sei bem se era isso que Mies teria em mente, mas funcionou muito bem para nós.

E é isso que a arquitectura é. Criar edifícios e espaços que nos inspiram, que nos ajudam no nosso trabalho, que nos unem e que se transformam, no seu melhor, em obras de arte nas quais nos podemos movimentar e viver. E, afinal, é por isso que a arquitectura pode ser considerada a mais democrática das formas de arte.

Talvez fosse por isso que Thomas Jefferson, que manter os princípios base da nossa nação, tinha tanta paixão pela arquitectura e design. Gastou mais de 50 anos a aperfeiçoar a sua casa de Monticello. E inúmeras horas a desenhar e a rever os seus desenhos da Universidade de Virgínia - um local onde esperava que as gerações pudessem estudar e tornar-se, no que descreveu "o futuro baluarte da mente humana neste hemisfério".

Como Jefferson, o laureado desta noite passou a sua carreira não só a aumentar as fronteiras da sua arte, mas fê-lo de forma a servir o bem público. Eduardo Souto de Moura desenhou casas, centros comerciais, galerias de arte, escolas e estações de metro - todas num estilo que parece fácil e que é bonito. Ele é um especialista no uso de diferentes materiais e cores, e as suas linhas simples e intemporais adequam-se ao que as rodeiam.

O trabalho mais conhecido de Eduardo é talvez o do estádio que criou em Braga, Portugal. Nunca se limitando à resposta fácil, Eduardo quis construir este estádio no lado de uma montanha. Por isso, rebentou com perto de um milhão e meio de metros cúbicos de granito da montanha, que depois triturou e usou para fazer o betão necessário para construir o estádio.

Também teve o cuidado de construir o estádio para que, quem não pudesse comprar o bilhete, pudesse ver o jogo a partir de uma das colinas à volta. Uma espécie de Wrigley Field português (risos).

E é essa combinação de forma e função, de arte e acessibilidade, que nos leva a premiar hoje Eduardo com o que é conhecido como o "Prémio Nobel da Arquitectura". À semelhança do que disse Frank Gehry, um anterior premiado, "A arquitectura deve falar do seu tempo e lugar, mas aspirar ao intemporal". Quero agradecer a todos os homens e mulheres que criaram esta arte intemporal - que não só nos trouxe alegria, mas que ajudou a transformar este mundo num local melhor.

E, Tom, obrigado de novo pelo teu extraordinário patrocínio da arquitectura. Faz uma grande diferença. Muito obrigado."

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