Cultura

Prima recorda generosidade de Carmen Miranda

Prima recorda generosidade de Carmen Miranda

Em Marco de Canaveses, terra natal de Carmen Miranda, a artista luso-brasileira é lembrada pela única familiar viva como uma mulher muito generosa.

"Lembro-me do dinheiro e das roupas que mandava para cá", contou à agência Lusa Maria da Graça, de 85 anos, única prima viva de Carmen Miranda, cujo centenário do nascimento se comemora esta segunda-feira.

Mas confessa, também, que nunca viu qualquer filme que tenha a prima como protagonista, nem sequer imagens na televisão. "Nesse tempo eu vivia para criar os meus filhos", justificou-se, apesar de se dizer uma pessoa muito alegre, como a "prima brasileira".

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Maria do Carmo Miranda da Cunha, que viria a adoptar o pseudónimo de Carmen Miranda, nasceu em Aliviada, Marco de Canaveses, e foi primeiro no Brasil, país para onde partira ainda bebé com os pais, e mais tarde nos Estados Unidos que se tornou uma actriz e cantora muito popular nas décadas de 30, 40 e 50 do século passado, sendo vista como precursora do "tropicalimo".

Maria da Graça, mais nova 15 anos do que Carmen, não conheceu a antiga actriz e cantora, porque esta, após ter partido para o Brasil, em 1910, apenas com um ano de idade, nunca mais voltou a Portugal.

Chegou, no entanto, a conhecer a mãe de Carmen, sua tia direita, que chegou a vir a Portugal (Marco de Canaveses) duas vezes. "Eu era pequena, mas lembro-me bem, porque ficou na minha casa", explicou a idosa.

Carmen nunca regressou à terra onde nasceu, mas terá transmitido várias vezes aos familiares marcuenses que gostava de o fazer.

Nas cartas que mandava regularmente do Brasil e mais tarde dos Estados Unidos, além do dinheiro, deixava palavras de estima aos tios e primos.

Aos familiares que por cá ficaram contava que o seu pai era barbeiro e a sua mãe tinha uma pensão no Rio de Janeiro.

Maria da Graça reside hoje numa casa não muito distante da pequena habitação onde nasceu Carmen.

Aliás, à rua foi dado pela autarquia o nome da artista luso-brasileira, como fez questão de frisar a prima."Ficou feliz porque foi um reconhecimento", confessou.

Dos seus tempos de infância, recorda o que lhe diziam de Carmen, sobretudo as conversas dos seus pais (tios da cantora).

"Falavam que era uma pessoa muito rica e famosa e mostravam os jornais e revistas com coisas sobre ela", acrescentou.

Também lhe falavam do dia em que a irmã mais velha de Carmen, Olinda, regressou do Brasil com tuberculose, acabando por morrer em Aliviada, Marco de Canaveses, ali sendo enterrada.

Das músicas que celebrizaram Carmen, soube falar, não hesitando em cantarolar a sua canção preferida, "Taí - Pra Você Gostar de Mim".

Sempre com uma expressão muito viva, lembrou até o dia em que um tio trouxe de Brasil uma grafonola e uma colecção de discos da Carmen, que foram ouvidos vezes sem conta lá em casa.

Maria da Graça recorda quando, através do marido, soube da morte da prima, ocorrida a 5 de Agosto, nos Estados Unidos.

"Ele viu a notícia no jornal e contou-me. Ficámos muito tristes", disse, lamentando ter morrido tão nova (46 anos).

Desse momento, também se fixou no facto de dias antes a prima lhe ter mandado um casaco comprido que ainda nem sequer tinha tirado da caixa.

Sobre a homenagem que a Câmara de Marco de Canaveses promove dia 09 para assinalar o centenário do nascimento de Cármen, para a qual foi convidada, confessa-se emocionada.

"Estou muito ansiosa para ver o filme que vão mostrar sobre a vida da minha prima", admitiu, sorrindo.

* Agência Lusa

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