Artes Plásticas

Primeira exposição de Christina Kubisch em Portugal

Primeira exposição de Christina Kubisch em Portugal

A artista alemã expõe as suas obras pela primeira vez em Portugal. Serralves recebe a exposição que explora o som.

O Museu de Serralves, no Porto, acolhe até abril de 2022 a primeira exposição, em Portugal, da artista sonora alemã Christina Kubisch. A exposição faz parte de um conjunto de projetos que exploram o som.

A compositora e artista de som Christina Kubisch começou a carreira em 1970 e distingue-se pelas esculturas sonoras e instalações, entre outros domínios. Começou o seu trabalho artístico junto do artista italiano Fabrizio Plessi, um dos pais fundadores da arte em vídeo.

Kubisch traz a Serralves três instalações em que os sons naturais se misturam com os sintéticos e se ouve o silêncio.

A exposição começa com uma nova versão de "The greenhouse", de 2017, e mostra o trabalho da artista em torno da indução eletromagnética e da mistura de sons naturais e sintéticos. Uma inspiração que vem "da tradição do século XIX, quando traziam plantas das colónias, mas só a parte visual, nunca os sons", disse Christina Kubisch à agência Lusa.

"Não é música eletrónica, criada artificialmente, é tudo gravado ao vivo, até os campos eletromagnéticos são emanados por ecrãs, sistemas de luz, etc.", continua a artista.

Na mostra portuense encontra-se também "Silence project", de 2011, que enquadra a gravação, em 70 línguas, da palavra "silêncio", com representação visual daqueles sonogramas, mas também da obra "4"33""", do compositor americano John Cage (1912 - 1992), também ele um pioneiro na música aleatória e eletroacústica com uso de instrumentos não convencionais.

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No final, os visitantes deparam-se com "Brunnenlieder", num encontro entre os sons naturais e a música popular na forma de "Ein Brunnen vor dem Tore", que integra o ciclo "Winterreise" de Friedrich Müller, musicada por Franz Schubert e com arranjos para piano de Franz Liszt.

Os trabalhos expostos reúnem uma série de princípios que assistem o trabalho da artista numa, "diluição de fronteiras entre o visual e o sonoro", afirmou o curador Pedro Rocha.

A exposição aconselha o uso dos auscultadores e, segundo Pedro Rocha, "convida [o público] a ativar a obra, deslocando-se no espaço". Também a exposição de Pedro Tutela, inaugurada em setembro e que junta mais de 30 anos de trabalho, usando "a plasticidade do som", pertence a este conjunto de projetos. Em breve, serão também expostos em Serralves projetos dos artistas Ryoji Ikeda e Tarek Atoui.

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