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Quadro de Manet de quatro milhões de coleção nazi envolto em polémica

Quadro de Manet de quatro milhões de coleção nazi envolto em polémica

A obra de Édouard Manet "Marine, Temps d'Ororage",de 1873,vai ser vendida ao Museu Nacional de Arte Ocidental, em Tóquio, por 4 milhões de dólares (3,6 milhões de euros). Mas a venda está rodeada de controvérsia.

O quadro do pintor francês pertence à polémica coleção de 1500 peças que Cornelius Gurlitt, filho do general nazi Hildebrand Gurlitt, doou ao Kunstmuseum, de Berna, na Suíça, em 2014. A German Lost Art Foundation, entidade que investiga a proveniência de obras de arte, na sequência do saque de "arte degenerada" e roubada a judeus durante a era nazi, recuperou pelo menos nove das obras da coleção Gurlitt (que tem, entre outras, pinturas de Edvard Munch, Henri Matisse ou Paul Cézanne), já foram apreendidas e devolvidas aos seus legítimos proprietários.

No caso deste Manet, os pesquisadores atribuíram-lhe uma classificação "Verde", o que significa que não se trata de arte saqueada pelos nazis. A pintura é uma das poucas com uma proveniência relativamente clara, até porque tinha sido propriedade do industrial japonês Kōjirō Matsukata, cuja coleção de arte ocidental formava a base da coleção do museu de Tóquio.

Ainda assim, a dúvida persiste. Matsukata construiu a coleção quando morava na Europa, na primeira metade do século XX. Mas depois da invasão nazi, regressou ao Japão, confiando algumas das suas pinturas a um oficial da marinha japonesa aposentado, que acabou por vender 20 delas, incluindo o Manet, algures entre 1940 e 1942. O objetivo era arrecadar dinheiro para manter as restantes obras no país.

Algures no percurso, a pintura acabou nas mãos de Hildebrand Gurlitt. O que ainda não está claro é por quantas mãos a pintura passou antes de chegar à coleção do general nazi. Portanto, não se sabe a sua proveniência exata.

Para o pequeno museu suíço, a venda é fundamental porque a coleção Gurlitt tem elevados custos de manutenção. Das nove obras restituídas, algumas foram postas no mercado e vendiadas por preços elevados, como o caso de "Two Riders on the Beach" (1901), de Max Liebermann, que foi vendido na Sotheby's em Londres, por quase 1,9 milhão de libras (2,2 milhões de euros).