Cultura

"Quebra de confiança" suspende Feira do Livro no Porto

"Quebra de confiança" suspende Feira do Livro no Porto

Pelo segundo ano consecutivo, o Porto pode ver-se privado da Feira do Livro. Terça-feira, a autarquia portuense acusou a associação de livreiros de "quebra de confiança", rompendo as negociações em curso.

O futuro imediato da Feira do Livro do Porto volta a estar marcado pela incerteza, depois de a Câmara do Porto ter anunciado que suspendia as negociações em curso há dois meses.

Na base da discórdia estão declarações feitas ontem à imprensa pelo presidente da associação dos livreiros, João Alvim, em que assumia que, "sem compromissos financeiros, é claro que a APEL não vai organizar a Feira do Livro no Porto".

Confrontada com esta posição, a Câmara do Porto emitiu um comunicado, ontem, ao fim da tarde, no qual apelida as declarações de Alvim de, "no mínimo, surpreendentes", ao ignorarem "um acordo de princípio que estabelecia as linhas gerais da realização de uma Feira do Livro de 2014 no Porto".

Esse protocolo, reitera a autarquia, "definia o local, o calendário e as contrapartidas logísticas oferecidas pela Câmara Municipal do Porto, tendo ficado clara a inexistência de contrapartidas financeiras por parte do município na edição deste ano".

Ainda no mesmo comunicado, "a 20 de fevereiro passado, o secretário-geral da APEL comunicou por escrito à Câmara Municipal do Porto que iria anunciar oficialmente a data e o local da Feira do Livro no Porto, por ocasião da abertura das inscrições para a Feira do Livro de Lisboa".

A Câmara aponta ainda "a grave quebra de confiança, se não entre as partes, pelo menos entre os representantes mandatados pela APEL para as negociações e o presidente da mesma associação".

A indisponibilidade da Câmara do Porto para apoiar financeiramente o certame - 75 mil euros é a verba que a APEL reclama para a organização - foi assumida pela primeira vez por Paulo Cunha e Silva, vereador da Cultura, numa entrevista ao "Jornal de Notícias". "Há várias modalidades de apoio que não passam por dinheiro. Aliás, o orçamento para 2014 não contempla qualquer verba".

A confirmar-se o rompimento das negociações, será a segunda vez, em quase 85 anos de história, que o Porto não vai contar com uma edição da Feira do Livro. No ano passado, o executivo então presidido por Rui Rio organizou, em parceria com a produtora cultural Cultureprint, um evento livreiro alternativo, a que deu o nome de Letras na Avenida.

Se a Feira do Livro do Porto é uma incógnita, a de Lisboa já tem data: vai decorrer entre 29 de maio e 15 de junho, no Parque Eduardo VII. v