Cinema

Realizador de "Top gun: Maverick", Joseph Kosinski, "esteve" em Lisboa

Realizador de "Top gun: Maverick", Joseph Kosinski, "esteve" em Lisboa

Primeira projeção para a imprensa foi seguida de encontro virtual com o realizador.

Foi na manhã desta segunda-feira que a imprensa que escreve sobre cinema teve oportunidade de assistir ao novo - e sim, espetacular - "Top gun". Trinta e seis anos depois de Tom Cruise ter criado uma das suas personagens mais icónicas, vestido de blusão de cabedal e usando aqueles óculos de sol, chega às salas de cinema no próximo dia 26 "Top gun: Maverick".

A seguir à projeção houve um encontro com a imprensa, moderado por Vasco Palmeirim e com a "presença", ao seu lado, de Joseph Kosinski, o realizador do filme. Só que, enquanto Palmeirim estava mesmo perto de nós, numa sala de cinema de Lisboa, o realizador do filme estava numa sala de um hotel de Londres.

O que vimos foi um holograma dele, em tempo real e a interagir com a plateia, do lado de cá. Quem entrasse na sala sem saber o que se estava a passar seguramente não ia dar por nada. Tudo graças a uma tecnologia que, explicado mais tarde por um engenheiro da companhia que a desenvolveu, ou melhor, pelo seu holograma, deverá estar disponível para todos dentro de três a cinco anos. Bom, talvez ainda não para ter em casa.

Quanto ao filme, foram também as novas tecnologias que moldaram o que o público vai conhecer dentro de dias nas salas, como o realizador confirmou. "A tecnologia tinha chegado a um ponto quando começámos a preparar este filme que nos permitiu colocar seis câmaras IMAX de grande qualidade no cockpit destes aviões de caça, de forma a podermos captar estas imagens de forma real. Vemos bem o efeito da força G no rosto do Tom Cruise." E sublinha: "Foi um daqueles casos em que a tecnologia e a história certas chegaram na mesma altura".

Kosinski tinha apenas 12 anos quando viu o primeiro filme. "Para mim, é o blockbuster de verão definitivo. Lembro-me bem da música, das sequências de voo, os óculos de sol e o blusão do Maverick", recorda, não negando a responsabilidade de estar à altura do original. "É claro que senti essa pressão todos os dias, mas felizmente tínhamos o Tom Cruise a fazer de Maverick, o Jerry Bruckheimer como meu produtor, o Val Kilmer de volta como Iceman."

Joseph Kosinski já tinha trabalhado com Tom Cruise, que dirigiu em "Esquecido". Já sabia pois com o que podia contar. "O Tom é uma das pessoas que conheço com mais paixão quando se trata de fazer um filme. Dá o máximo todos os dias. Para ele não se tratava apenas de voltar a interpretar Maverick. Ele envolve-se em todos os aspetos da feitura do filme."

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Como nós, espectadores, Kosinski sabe que num filme com Tom Cruise fazem-se coisas difíceis de serem mobilizadas para outras longas-metragens, como explicou. "Tivemos a cooperação da Marinha americana a um nível que não poderíamos ter se fosse para outro filme qualquer. Muitas pessoas na esfera de decisão da Marinha alistaram-se depois de terem visto o primeiro "Top gun". Receberam-nos de braços abertos e permitiram-nos fazer coisas extraordinárias neste filme."

O mais extraordinário é que, sublinhou Joseph Kosinski, a maior parte do que vemos no ecrã estava a ser filmado em tempo real. "Estamos já muito habituados a ver coisas criadas em computador, o que é ótimo quando se estão a criar mundos que não existem. Mas quando nos esforçamos por filmar coisas a sério as pessoas sentem isso quando veem o filme. Há uma resposta emocional direta, em especial quando é algo de tão radical como isto. É um estilo de filmagem clássico, mas feito com a mais recente tecnologia. Deu muito trabalho a fazer mas acho que os resultados falam por si."

Não foi no entanto muito fácil convencer Tom Cruise a voltar a esta personagem. "Ele não queria regressar a não ser que a história fosse perfeita", disse Kosinski. "Eu e Jerry Bruckheimer voámos para Paris há cinco anos, quando o Tom estava a fazer um dos "Missão impossível", e só tive 20 minutos para lhe explicar qual era a minha ideia para o filme."

O que fez então o realizador para convencer Tom a ser de novo Maverick? "Sabia que para ele o mais importante era a história e as personagens. Quando lhe disse que a espinha dorsal da narrativa era a reconciliação do Maverick com o filho do seu antigo braço direito, no quadro de uma missão muito difícil, que os iria colocar bem dentro de território inimigo, vi logo a cabeça do Tom a começar a funcionar. Assim que a reunião acabou ele pegou no telefone, contactou o presidente da Paramount e disse-lhe que íamos fazer este filme. Foi incrível de ver."

Questionado sobre qual a sequência mais difícil de produzir, Joseph Kosinski não hesitou: "Seguramente a do terceiro ato, onde mandamos quatro F-18 Super Hornets na missão final. Filmámos sobre o Oceano Pacífico e na costa da Califórnia e bem fundo nas Cascade Mountains em Washington, quando ainda havia neve. Tivemos de ter autorização da Marinha para voar abaixo de 200 pés [pouco mais de 60 metros]", recorda.

Ao ver o filme, o espectador vai perguntar-se decerto como foi organizar todos aqueles combates aéreos. O realizador dá-nos uma ideia. "Do ponto de vista coreográfico são sequências muito complexas. Fizemos para cima de 3800 storyboards para este filme. Tivemos imensas equipas a trabalhar ao mesmo tempo. Gerámos 813 horas de filme, montar tudo para ter um filme de duas horas foi um trabalho imenso."

Antes de se despedir, o realizador, que estudou engenharia aeroespacial e engenharia mecânica antes de se virar para o cinema, disse ansiar "pelo dia em que as pessoas vão ver o filme no grande ecrã".

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