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Realizadoras e serviços de streaming: os novos dias dos Globos de Ouro

Realizadoras e serviços de streaming: os novos dias dos Globos de Ouro

Pela primeira vez há três realizadoras nomeadas para os prémios do cinema e da TV americanos, num ano dominado pela Netflix.

Os movimentos Me Too e Black Lives Matter colocaram a indústria do entretenimento debaixo de um grande escrutínio, no que diz respeito ao cumprimento de quotas. O contexto é sintomático: nos 78 anos de história dos Globos de Ouro, apenas cinco mulheres realizadoras haviam sido nomeadas: Sofia Coppola, Jane Campion e Ava DuVernay uma vez cada, Kathryn Bigelow e Barbra Streisand por duas vezes.

Esse é o reflexo de uma indústria onde para a mulher ainda se reserva muito mais o papel de atriz e não de realizadora. Por isso mesmo, foi com alguma surpresa que, pela primeira vez, três realizadoras, uma afro-americana, uma chinesa e uma britânica, foram nomeadas para os Globos de Ouro. Inocente? Talvez não.

Regina King é uma atriz e cineasta com dois galardões Primetime Emmy para Melhor Atriz Secundária em Telefilme/Minissérie por "American crime" e um terceiro, como Melhor Atriz em Telefilme, por "Seven seconds". À corrida aos Globos de Ouro leva "One night in Miami", onde encena um encontro entre Malcolm X, Muhammad Ali, Jim Brown e Sam Cooke.

A chinesa Chloé Zhao, argumentista, produtora e realizadora, compete com "Nomadland", drama sobre os nómadas modernos nos Estados Unidos. Uma obra já galardoada com um Leão de Ouro de Veneza e o Prémio do Público em Toronto. A última das mosqueteiras é a também atriz Emerald Fennell, a britânica que ganhou fama no ano passado interpretando Camilla Parker Bowles em "The Crown" . Este ano, na sua estreia atrás da câmara, apresenta uma comédia negra de vingança chamada "Promising young woman".

Homens favoritos

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Na competição dos realizadores estão também dois homens. Aaron Sorkin, já com um Óscar, seis Emmys, dois Globos de Ouro e um Bafta, quase todos como guionista, concorre com "The trial of the Chicago 7", filme baseado no caso real do julgamento de um grupo de ativistas e manifestantes acusado pelo Governo americano de conspiração e incitação à revolta durante protestos contra a Guerra do Vietname durante a Convenção Nacional Democrata em 1968. O filme conta também com um dos favoritos na categoria de Melhor Desempenho em Filme Musical ou de Comédia, Sacha Baron Cohen.

O segundo candidato é o grande favorito David Fincher, pelo filme "Mank", que tem seis nomeações. Fincher tem Emmys, Globos de Ouro, Baftas e Grammys. "Mank", alegoria a preto e branco sobre a idade de ouro de Hollywood, lidera com seis nomeações, incluindo uma para o ator principal, Gary Oldman, que interpreta Herman J Mankiewicz, a escrever o guião de "Citizen Kane".

Plataformas de streaming arrasam nas candidaturas

Num ano em que a pandemia marcou as agendas culturais e foi um impeditivo para que as salas de cinema estivessem abertas, as plataformas de streaming arrecadaram a maioria esmagadora das nomeações aos Globos de Ouro. A Netflix, cuja presença no setor tinha vindo a crescer mesmo antes da covid-19, agora domina por larga maioria nas nomeações em filmes e séries de TV, incluindo "Mank" e "The trial of the Chicago 7", os grandes favoritos entre as longas-metragens. A plataforma conseguiu 42 nomeações. A Amazon tem dez nomeações: para "Borat subsequent moviefilm" e "Small axe". Uma outra plataforma, Hulu, conseguiu nove nomeações para as ficções "Palm Springs" e "Normal people".

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