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Metz agitam ambiente morno do Rock in Rio

Metz agitam ambiente morno do Rock in Rio

Ao terceiro dia, o Rock in Rio Lisboa tenta apontar ao rock: Alice Cooper e os seus Hollywood Vampires - com Johnny Depp - dominam as atenções, mas só deverão surgir em palco perto da meia-noite. Pelo Palco Vodafone já passaram os Metz, que agitaram o ambiente morno que se vive no Parque da Bela Vista.

Os Metz laboram uma música abrasiva e empolgante, fértil em canções súbitas e finais abruptos - e pela primeira vez neste Rock in Rio sentiu-se uma certa selvajaria instalada à superfície: até uma clareira se abriu com gente brava a pontapear o céu. A chuva, que já ameaçava há algum tempo, acabou por sucumbir em cima da assistência mas sem grande veemência, apenas para refrescar.

O trio ainda só tem dois álbuns mas parece já possuir uma quantidade considerável de fãs. Os Metz estiveram em palco durante cerca de uma hora e saíram debaixo da aprovação da plebe.

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Enquanto os Metz ainda atuavam, os californianos Rival Sons subiam ao Palco Mundo, muito mais despovoado do que nos dois dias anteriores. Foram conquistando a plateia a pulso, muito graças aos dons de comunicador de Jay Buchanan, cerzindo um rock a puxar pelos blues que foi surtindo algum efeito junto da multidão.

Entre "Electric man" ou "Pressure & time", o grupo apresentou também "Tied up", canção que integra o novo disco, "Hollow bones", com data de lançamento prevista para 10 de junho. Se dúvidas restassem, já perto do final do espetáculo, Buchanan deixou a nota: "Não tocamos rock, tocamos rock n' roll". E prosseguiu caminho até à despedida, com "Keep on swinging".

Antes, no Palco Vodafone, deu-se a chegada dos Glockenwise, trupe de Barcelos que edifica garage rock e nos últimos anos se tem afirmado como um dos valores mais seguros da cena indie nacional. Durante mais de 40 minutos despejaram duas guitarras em zaragata com a voz de Nuno Rodrigues a insinuar-se ali pelo meio, por vezes amortecida pela detonação.

Uma das peças ali deixadas "não fala do passado nem do futuro mas sim sobre o presente que é o mais difícil de escrever", elucidou o cantor. Apresentaram canções do recente "Heat", o terceiro álbum, lançado no outono passado, e estenderam a passadeira vermelha para aqueles que se lhes seguiriam, dizendo que os Metz são "uma das melhores bandas do planeta".

Haverá seguramente algum exagero nisso mas o certo é que o clima tornou-se ainda mais estimulante com a aparição dos garotos canadianos.

Os primeiros sons foram disparados pelos Cave Story, trio das Caldas da Rainha que lavra um rock encarvoado com alguns rasgos de melodia a desembocar em redemoinhos de deleitável pandemónio elétrico. Tocaram perante um público não muito numeroso mas fiel e militante - ninguém arredou pé enquanto acontecia aquele arremesso de dinâmica róque, os aviões se erguiam em diagonal (o aeroporto é ali atrás do palco) e um bando de nuvens Cumulus escorregava em sentido contrário.

Fãs de Korn e criançada

Ao final da tarde pairava a impressão de que há menos gente no recinto do que nas primeiras duas noites - na semana passada, mais de 141 mil pessoas passaram pelo Parque da Bela Vista. Segundo a organização, até veio gente da Austrália e dos Emirados Árabes.

Nesses primeiros dois dias vendeu-se mais cerveja (50 mil litros) do que água (30 mil litros) ou pepsi (20 mil litros). Ao mesmo tempo, a multidão forrou o estômago com 4 mil bifanas, 250 quilos de leitão, 5 mil pacotes de batatas fritas, 80 quilos de salmão, 200 quilos de atum e 100 quilos de fruta. Mais de 14 mil pessoas fizeram a digestão com uma volta da Roda Gigante. E 1100 indivíduos mais afoitos atreveram-se a deslizar no slide que cruza o céu do palco principal.

Esta sexta-feira, vislumbra-se menos congestionamento e filas - à exceção da eternamente longa linha humana à espera de recolher um sofá insuflável - e abundam os corpos agasalhados a negro.

No recinto, os fãs dos Korn dão nas vistas com t-shirts alusivas à banda. Hélder Sul e Pedro Oliveira aterraram em Lisboa esta manhã, vindos da Suíça, de propósito para verem a banda liderada por Jonathan Davis. Tio e sobrinho, de 31 e 18 anos, respetivamente, vão assistir a um espetáculo do grupo pela primeira vez.

"É um sonho de infância", confessa Hélder, que cresceu ao som do nu metal dos norte-americanos. Apesar de admitir que "desde 2004 a banda tem vindo sempre a descer", sabe que o que o espera no Parque da Bela Vista é um espetáculo repleto de canções "old school".

Entre os festivaleiros, há um grupo de crianças vestidas de amarelo que se destaca na multidão. São 52 alunos da escola EB 2,3 Vila d'Este, que vieram de Vila Nova de Gaia na sequência da participação no Projeto Escola Eletrão. No recinto há mais crianças de outras escolas que participaram no projeto, mas estas têm um motivo especial para celebrar: venceram o Prémio Sensibilização para o Projeto Escola Eletrão e conquistaram 2500 euros para o estabelecimento de ensino que frequentam.

"Estão felicíssimos, que é o que nos enche a alma", afirma Teresa Veiga Cabral, promotora do projeto na EB 2,3 Vila d'Este e uma das sete professoras que os acompanha nesta aventura. Se para muitos é a primeira vez que vêm a Lisboa, para todos é uma estreia absoluta no Rock in Rio.

"Isto é muito divertido. Estava à espera de encontrar só música, mas há várias diversões", destaca Vasco Soares, aluno do 8.º ano, com os olhos a viajar por tudo o que se passa em seu redor.

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