25ª edição do SBSR

Rock regressa ao local onde já foi mais feliz

Rock regressa ao local onde já foi mais feliz

25.º Super Rock arranca para três dias no Meco e espera 30 mil pessoas. Lana Del Rey já esgotou. Festa indie traz Migos, The 1975, Charlotte Gainsbourg, FKJ e Kaytranada

Em 1995, ano do 1.º Super Bock Super Rock em Lisboa, com Cure e Jesus & The Mary Chain, o F. C. Porto foi campeão com 11 pontos sobre o SLB, Guterres ganharia as eleições quebrando 10 anos de cavaquismo, e o festival indie nascia para ser o maior do país. Nesse ano, Paredes de Coura ainda brincava aos festivais na 3.ª divisão (Xana e Kick Out The Jams), o Alive só nasceria daí a 12 anos, o Primavera Porto daí a 17, e faltavam ainda dois anos para emergir o Alentejo alternativo e o Sudoeste.

Como um polvo com braços entre Algés, Alcântara, Parque Tejo, Expo e os anos síncronos Porto-Lisboa, o SBSR aterrou na Praia do Meco em 2010 e fez aí cinco gloriosas edições (Prince nesse ano, Arcade Fire, Tame Impala e Strokes depois, Lana Del Rey em 2012, Eddie Vedder em 2014), trocando o "Meco, sol e rock"n"roll" pelo betão do Parque das Nações de 2015 a 2018 - perdendo carisma, dominância e parte do público.

Agora, 19 anos depois da primeira vez, o Super Bock Super Rock regressa ao local onde foi incontestadamente mais feliz: o recinto relvado e solar da Herdade do Cabeço da Flauta, na aragem charmosa da praia do Meco.

Lana, que há sete anos esgotou o SBSR_com o seu microvestido branco e pôs o público a cantar em coro "Blue jeans" logo a abrir, é a artista ideal da revinda: o seu mundo é o dos suspiros e violinos derramados, as citações de Walt Whitman, as fantasias de JFK e aquele glamour de sorvete colorido híper romantizado. E torna a esgotar, Lana - é mesmo a primeira artista a consegui-lo nos festivais deste ano.

Lana canta com Cat Power

Depois da sua poética iconográfica de néon - dê-se já a novidade: Lana vai juntar-se a Cat Power em palco para o hit single "Woman", está combinado, sabe o JN -, o festival abre-se com um dos melhores cartazes indie do ano, capaz de arrancar suspiros aos fãs melómanos do Primavera Sound, desgostosos com "o novo normal" de 2019 que lhes impingiu J Balvin e o paganismo do reggaeton.

Com 11 horas consecutivas de música por dia, quatro palcos e alguns números noturnos sincrónicos (Conan Osiris sofrerá hoje a atuar à mesma hora da máquina eletro-pop ventosa dos The 1975), o SBSR, que volta ao Meco para ficar (ver promessa de Montez), ergue-se numa feliz fúria de géneros.

A fortíssima brigada francesa salta logo aos olhos: Phoenix (soft-pop), Christine & The Queens (art-pop), FKJ (french house, nu jazz) e o indie-pop de Charlotte Gainsbourg, que sendo londrina é filha de Serge, o maior ícone do cool francês.
Como um astuto mecanismo concêntrico, o SBSR corre em direção ao novo cosmos negro: Migos (hip hop trap), Janelle Monáe (psych soul), Kaytranada (r&b eletro), Masego (neossoul) e Jungle (modern soul).
Sobra a armada nacional, com 15 números: são três por dia no palco LG, mais Branko, Capitão Fausto, Conan, Conjunto Corona e os esplêndidos Glockenwise.

O bilhete de um dia custa 60€; o passe geral 110€. v

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