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Sara Inês Gigante e o peso das tradições em "Massa mãe"

Sara Inês Gigante e o peso das tradições em "Massa mãe"

Peça é um dm desafio ao lado conservador, católico e patriarcal da cultura popular.

Os Festivais Gil Vicente têm na próxima sexta-feira a segunda estreia, com Sara Inês Gigante e "Massa Mãe", no pequeno auditório do Centro Cultural Vila Flor, Guimarães, às 21.30 horas. Uma revisitação das suas raízes minhotas, num conflito entre o sentido de pertença e descoberta do significado de alguns dos signos dessa cultura.

Olhar para a terra natal, Viana do Castelo, a partir da cidade de acolhimento, Lisboa, foi o motor criativo para a peça, diz a encenadora que, neste trabalho, também é intérprete. "Aproprio-me da minha biografia, da minha identidade minhota e da relação que tenho com a tradição, para problematizar essas tradições." A âncora está nas experiências vividas em Outeiro, aldeia da família materna.

Tudo acontece numa relação muito direta com o público. É a própria que, em cena, explica quem era a Sara Inês Gigante criança. Foi o fato de lavradeira bordado pela avó, usado pela atriz para participar nos desfiles típicos de Viana, que levou Sara a uma pesquisa sobre o significado da indumentária, muito para lá da óbvia função de cobrir o corpo e o proteger dos elementos. "Todas estas coisas têm uma carga muito conservadora, católica e patriarcal. De alguma forma, tento desafiar isto, procurando apontar o que poderia ser o lugar deste fato." A certa altura da peça, informa: "Escrevi uma petição para que os meus filhos, um dia, possam desfilar com o fato da avó Cândida, independentemente da sua identidade de género".

Para a autora, trata-se de um legado aos descendentes que possa vir a ter. Um pequeno espigueiro vai sendo construído em cena, "como se fosse uma espécie de baú que um dia vai ter coisas lá dentro, para que os meus filhos tenham esse património".

"Massa mãe" conjuga-se no feminino, construído em torno das experiências da autora com a tia Maria, a avó Cândida e a mãe Sofia. Toda a peça segue uma linha de paralelismo com o ciclo do milho. ""Massa mãe" é um bocado da massa da fornada anterior que serve de fermento à seguinte. O legado", sublinha Sara Inês Gigante.

Massa mãe
Centro Cultural Vila Flor (Guimarães)
Sexta-feira 3

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