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Saudade, abraços e Lula na despedida do MIMO na cidade do Porto

Saudade, abraços e Lula na despedida do MIMO na cidade do Porto

"O que define um lar é o amor e esta praça é agora um lar" afirmou Emicida, terminando, assim, a estreia do Festival MIMO na Invicta.

Muitos eram aqueles que ansiavam ouvir o brasileiro Emicida, muito antes deste subir ao palco, às 21.30 horas. De telemóvel e mãos no ar, desde as grades até ao fim do Largo Amor de Perdição, milhares de pessoas cantavam, numa só voz, as letras do artista. Este subiu ao palco de flauta transversal na mão e rapidamente aqueceu a noite de domingo.

Entre abraços, beijos, danças e sorrisos de orelha a orelha, a plateia reagia a cada interação do músico que, emocionado com o momento, expressou a saudade que sentia da cidade do Porto - "Bateu-me uma saudade muito grande estar aqui, eu morei aqui no ano passado e nunca vi esta praça tão cheia!"

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O número significativo de brasileiros no concerto conduziu Emicida para um momento expectável: uma forte referência à situação do Brasil, que vai a eleições a 2 de outubro. O artista repetiu, vezes sem conta, "Vocês sabem o que fazer no 2 de outubro". A verdade é que a resposta do público, não só brasileiro, foi de tal forma concordante, que símbolos e gritos de apoio a Lula emergiram no ar - "Olé, Olé, Olé, Olá, Lula, Lula!". No entanto, não foi apenas na língua brasileira que se dançou e cantou durante o concerto, ouvindo-se "Another Brick in the Wall" de Pink Floyd, que se assinalou como um dos pontos altos da noite.

A música de Emicida continuava a ecoar no Porto e, de uma ponta a outra, grupos de amigos e casais apaixonados dançavam abraçados e de mãos no ar, ao som de "Principia", a música que marcou o final do concerto. "O que nós temos no final é uns aos outros, dá um abraço a quem está ao seu lado" exprimiu o artista. E o público assim o fez.

Após uma breve saída, que parecia um final, o cantor voltou pronto para mais uma canção, atraindo aqueles que já tinham desistido, a correr para a frente do palco. O inegável amor ao músico uniu uma plateia feliz e realizada que, à conversa com o JN, tinha a mesma resposta: "Só vim hoje e foi mesmo pelo Emicida".

Momentos antes, ao entardecer, às 19 horas, Don Letts DJ Set, atuava neste palco principal e não permitiu que ninguém estivesse quieto. Crianças, mães e jovens, sozinhas ou acompanhadas, as pessoas balançavam os corpos, com ou sem uma cerveja na mão, ao som do Reggae que contagiava o Largo.

O classico "Could you be loved" de Bob Marley & The Wailers, músicas de Nirvana e até Adele - sempre com um toque de reggae - animaram um público que estava, ainda, a formar-se. As barbas compridas e as rastas marcaram este fim de tarde e, quanto ao Dj, este não fugiu ao habitual: um senhor, a sua mesa de som, óculos de sol e um cigarro.

A rapper suíça KT Gourique subiu ao palco de fato laranja, num estilo que vem lá dos anos 90 e com uma energia interminável. A concentração estava no público da frente que, entre saltos, mãos no ar e gritos que assistiam a rapper, sentiram a necessidade de responder da melhor forma que sabiam: com um "mosh", mas era no fundo, lá atrás, que se abria espaço para danças "expressivas". "Kita", o nome que se ouvia gritar, envolveu a plateia que cantava o que conseguia, ao som do hip hop dancehall e reggae.

"Festival MIMO, mimo demais", são as palavras proferidas pelo cantor Emicida que, talvez, resumam melhor este fim de semana e o espírito recetivo dos ouvintes.

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