Comemoração

"Se fosse hoje, Rodrigues Lobo era um poeta do ambiente"

"Se fosse hoje, Rodrigues Lobo era um poeta do ambiente"

No âmbito da apresentação do programa das comemorações dos 400 anos da morte de Francisco Rodrigues Lobo, Carlos André, coordenador científico e autor do livro "Francisco Rodrigues Lobo, 1574-1621: fotobiografia (im)possível", afirmou que, se o escritor fosse vivo, seria considerado um poeta ecológico.

"Se fosse hoje, Francisco Rodrigues Lobo era um poeta do ambiente", disse Carlos André, em alusão à importância que o escritor de Leiria atribuía à flora da região que "bordejava os rios Lis e Lena", na sua obra.

A este propósito, o coordenador científico das comemorações revelou ainda que o arquiteto Rui Ribeiro utilizou essas plantas no Jardim da Almuinha Grande, inaugurado há menos de dois anos, por influência do arquiteto Jorge Estrela, que fez esse levantamento nos livros do poeta.

"A grande modernidade de Francisco Rodrigues Lobo está no olhar muito atento à água e ao ambiente", disse Carlos André. "É quase um hino às novas causas da sociedade em que vivemos", observou. Outro exemplo disso, acrescentou, é a obra "Corte na Aldeia", que se centra na discussão entre valores e atitudes.

Vereadora da Cultura na Câmara de Leiria, Anabela Graça anunciou que, no âmbito das comemorações, este livro será reeditado e serão publicados dois livros infantis, um dos quais intitulado "O nosso amigo Chico", da autora Ana Cristina Luz e com ilustrações de Tânia Bailão Lopes.

Anabela Graça revelou ainda que o grupo Te-ato está a preparar uma "grande produção" sobre o poeta bucólico, em conjunto com clubes de teatro das escolas. A intenção era apresentar o espetáculo no verão, no Castelo de Leiria, mas será substituído por um filme, devido à pandemia de covid-19.

Envolver todos

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"Leiria orgulha-se de fazer diferente, quando se comemoram autores literários", afirmou Carlos André. "Em vez de ficarmos por um olhar científico, procuramos uma identificação do concelho com o seu poeta", explicou. Além do evento envolver crianças e jovens, conta ainda com a participação das 18 juntas e uniões de freguesia, que foram desafiadas a atribuir toponímia alusiva a Rodrigues Lobo ou às personagens das suas obras.

As associações e os agentes culturais do concelho de Leiria também foram convidados a participar no evento, com o objetivo de ajudar a divulgar a obra de Rodrigues Lobo, considerado por Carlos André como "o maior escritor leiriense de todos os tempos". Um congresso, exposições, espetáculos, oficinas, concursos, festivais, roteiros, rondas poéticas, herbários, ebooks, vídeos e fotografias são algumas das iniciativas em curso até ao final do ano.

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