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Se não o puder dizer poderei dançá-lo

Se não o puder dizer poderei dançá-lo

Victor Hugo Pontes regressa com a produção "Porque é infinito" à cena do Teatro Nacional São João.

Uma história de uma relação de três dias entre uma miúda de 13 anos e um miúdo de 16 acaba em seis mortos. Estes são os factos de "Romeu e Julieta" de William Shakespeare, a obra que alcançou a universalidade com o correr dos tempos.

O laboratório de Victor Hugo Pontes, muito bem assessorado por Joana Craveiro na dramaturgia, extraiu a fórmula e deu-lhe uma roupagem moderna, chamando-lhe "Porque é infinito". O espetáculo estreia-se esta semana no Teatro Nacional São João, no Porto. Sempre às 19. 30 horas.

Marca de água de Victor Hugo Pontes, a cenografia de Fernando Ribeiro volta a ter rampas no palco, uma tridimensionalidade e um artifício para diferentes níveis na coreografia. Outro elemento cenográfico que rapidamente se destaca são as cadeiras laranja, como dos autocarros, ou de uma sala de espera, uma alusão à passagem do tempo.

O tempo é algo a que o coreógrafo recorreu tecnicamente, quer com congelamentos, câmaras lentas, elipses intencionais, rewinds e repetições muito bem trabalhados. O lado matemático da dança no seu melhor.

A sequência do baile com recurso a voguing, não tão usual na obra de Victor Hugo Pontes, é um dos travos de modernidade da produção que resgata a obra de Shakespeare estreada em 1597. Mas não só.

Joana Craveiro, enquanto dramaturga, detalhou o processo de escavação quase arqueológica da obra e contou que foi preciso uma terceira versão para que o texto fosse crível.

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O elenco anda maioritariamente entre os 15 e os 20 anos - à exceção de Pedro Frias, António Júlio e Vera Santos, que desempenham os papéis adultos.

Os adolescentes desta era não têm os manuais de amor de outrora. Mas as perguntas retóricas que começam com "Já te aconteceu?" encontram pontos de contacto intergeracionais.

Com ou sem Tinders, montras de afetos descartáveis ou movimentos para a esquerda ou para a direita para entregar um pedaço de coração, o amor continua a ser o mesmo, até na era das mutações.

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