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Seis filmes e um livro para comemorar 100 anos de Fellini

Seis filmes e um livro para comemorar 100 anos de Fellini

"La Dolce Vita" em cópia restaurada assinala, esta quinta-feira, início do programa "Essencial Fellini"

Comemora-se este ano em Itália, nomeadamente com a edição de um selo, e em todo o mundo cinéfilo, o centenário do nascimento de um autor singular, amplamente amado e dos mais criativos da história do cinema. Se fosse vivo, Federico Fellini completaria 100 anos em 2020. Morreu em 1993, com 73 anos.

Em Portugal, e antes da retrospetiva integral da obra, a organizar pela Cinemateca em novembro, começa agora um curto ciclo que pretende mostrar o essencial da sua obra. São seis filmes em cópias novas restauradas.

O ciclo abre esta quinta-feira, dia 6, com "La Dolce Vita" (Nimas, em Lisboa; Trindade, no Porto; e Cinema da Villa, em Cascais), deambulação de um jornalista, Mastroianni como alter-ego de Fellini, pela vida fútil das festas e das celebridades da capital romana.

Seguem-se, ao ritmo de um por semana, até 10 de setembro, "A Estrada" (1955), retrato de uma mulher frágil, Gelsomina (Giulieta Masina), vendida pela mãe a um bruto saltimbanco (Anthony Quinn); "Fellini 8 ½" (1964), espécie de compêndio felliniano, com Marcello num realizador em crise; "Julieta dos Espíritos" (1965), declaração de amor e projeção do enorme talento da esposa, a única que teve em toda a vida; "Os Inúteis" (1953), um dos filmes iniciáticos e de recorte autobiográfico, sobre jovens que abandonam a pequena cidade costeira onde nasceram; e "A Voz da Lua" (1990), com um Roberto Benigni louco, visionário e inocente, num mundo que já não compreende.

"A inevitabilidade da arte"

Nascido em Rimini, a 20 de janeiro de 1920, Fellini morreu a 31 de outubro de 1993. Filho do movimento neorealista, tendo ainda trabalhado com Rossellini em "Roma, Cidade Aberta", cedo mostrou que o seu universo estava nos antípodas da filmagem do real, que originou obras-primas como "Ladrão de Bicicletas", de Vittorio de Sica, ou "A Terra Treme", de Luchino Visconti.

Apesar de apaixonado pela vida, Fellini criou a sua própria realidade, o seu imaginário único, marcado pela profusão de formas - narrativas e femininas -, pela extravagância das personagens que colocava em cena, pelo delírio onírico, pelo olhar corrosivo sobre a política e a religião, pelas mulheres fellinianas, objetos de desejo, enfim pela "inevitabilidade da arte", para citar o título do livro de Anabela Branco de Oliveira que acaba também de ser lançado a propósito do centenário de nascimento do cineasta italiano.

Artes ou formas de comunicação e espetáculo que o realizador homenageou em várias modalidades, da música ("Ensaio de Orquestra" ou "O Navio") ao circo ("Os Clowns), passando pela banda desenhada ("O Scheik Branco") ou a televisão ("Ginger e Fred", "Entrevista") e o próprio cinema ("Fellini 8 ½"). E fiel a um núcleo criativo em que se incluía o compositor Nino Rota, a esposa e atriz Giulieta Masina ou o ator Marcello Mastroianni.

São muitas as sequências de que todos se lembrarão. É o caso do banho de Mastroianni e Anita Ekberg na Fonte de Trevi em "La Dolce Vita", ou de Ciccio Ingrassia a clamar por uma mulher no cimo de uma árvore no autobiográfico "Amarcord", ou a passagem de modelos para bispos na "Roma de Fellini", sequência proibida em Portugal, em março de 1973 - por onde andava a "primavera" marcelista?

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