Artes Plásticas

Serralves: Uma villa de Siza com vista para Bourgeois e cheia de Miró

Serralves: Uma villa de Siza com vista para Bourgeois e cheia de Miró

Coleção de Joan Miró pertencente ao Estado português foi hoje reinstalada na restaurada Casa de Serralves.

O processo foi longo e intricado, mais complicado que uma das tapeçarias de Miró. Mas por fim, a coleção de Joan Miró pertencente ao Estado português está patente na Casa de Serralves, no Porto, recentemente restaurada pelo arquiteto Álvaro Siza, no âmbito de um depósito de 25 anos de cedência à Câmara do Porto.

A coleção é composta por 85 obras, entre pinturas, esculturas, colagens, desenhos e tapeçarias, balizadas entre 1924 e 1981. Além da villa renovada que permite as condições museológicas adequadas, também a exposição ganhou uma nova configuração com a curadoria e desenho de Robert Lubar Messeri, um dos maiores especialistas na obra do artista catalão.

Philippe Vergne, diretor do Museu de Serralves, disse na apresentação à imprensa, hoje de manhã, ter visto nos últimos dias as obras e ter ficado "estupefacto com a qualidade da coleção que reflete características de Miró que desconhecia, como as suas obsessões e o seu sentido de humor". Acrescentando que alguns dos trabalhos dos anos 30, "se tivessem sido feitos ontem, continuariam a ser igualmente revolucionários".

Meta estética

Robert Lubar Messeri declarou ter para esta exposição uma meta: "Ser o mais estética e bela possível, como se continuassem a viver pessoas aqui, numa casa sem mobília mas repleta de pinturas".

A exposição, agora com o nome de "Joan Miró - Signos e figuração", está agrupada tematicamente. Logo à entrada, na sala central da casa, está exposta uma tela queimada, "Toile brûlée", de 1973 que permite espreitar através dela, tendo-se assim um vislumbre de "Maman", a aranha gigante de Louise Bourgeois instalada no jardim. No lado oposto da sala, a obra "Cabeça", uma sobreposição que também simula um efeito de transparência.

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"The dancer", de 1924, é considerada pelo curador o nascimento de Joan Miró como artista. "Uma bailarina de flamenco com um coração flamejante na cabeça, o movimento que se ativa com uma mão-manivela, uma teia de aranha nos genitais e um pé", um dismorfismo intencional.

Se por um lado o ano de 1941 é considerado o pico da sua carreira, esta mostra permite ter uma ideia diferente de Miró. Entre as obras mais icónicas está "A mulher e o pássaro", em várias versões de diferentes décadas. As colagens também são impactantes, especialmente a feita sobre o "Monumento a Colon".

As obras referentes à Guerra Civil de Espanha, repletas de dismorfismo e uma expressão de terror na gestualidade são das mais surpreendentes na mostra. Bem como as tapeçarias.

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