Cultura

Sónia Braga insultada por apoiar Dilma

Sónia Braga insultada por apoiar Dilma

Depois de ter levado a Cannes a crise política brasileira, Sónia Braga enfrenta agora a ira dos opositores de Dilma. Só no dia seguinte à tomada de posição, a atriz conta que recebeu duas mil mensagens de insultos no Facebook.

Já aqui tínhamos referido que, num festival como o deste ano, a escolha de uma Palma de Ouro deverá ser uma tarefa bastante complexa para o júri presidido por George Miller. mas que havia já uma fação de jornalistas a pensar seriamente na possibilidade do Brasil vencer a competição, com o seu "Aquarius", de Kléber Mendonça Filho.

Antes da entrada na sala de projeção, para a sessão de gala, toda a equipa do filme, a começar pelo realizador e pela sua estrela, a nossa bem conhecida Sónia Braga, fez questão de denunciar o golpe de Estado que se tem vindo a consumar no Brasil, com uma foto que entretanto já corre mundo, onde cada um mostra uma pequena folha de papel alusiva ao tema.

Afinal, um pequeno gesto pode ter uma grande repercussão, como nos revelou o realizador, na conversa que com ele tivemos e onde também nos confirmou que as negociações para a distribuição do filme em Portugal estavam bastante avançadas. Mas "Aquarius" está neste momento a ser alvo de uma inacreditável campanha de boicote, por parte de pessoas que nem sequer tiveram a possibilidade de ver o filme, visto Cannes ter coincidido com a estreia mundial.

Um facto que Sónia Braga nos confirmaria também. "Normalmente respondo pessoalmente a todas as pessoas que me deixam mensagem no Facebook, mas hoje tinha duas mil mensagens. E quase todas a insultar-me por causa do filme. E nem sequer consigo ter tempo para bloquear duas mil pessoas."

Assim vai o mundo, assim vai o Brasil, em particular. Entretanto, passando por cima da não polémica do novo filme de Nicolas Winding Refn, "The Neon Demon", visto não haver nada de interessante a dizer sobre o seu novo filme, e dizer frases bombásticas em conferencias de imprensa não chega para valorizar o seu trabalho, Cannes viu pela primeira vez "La mort de Louis XIV", de Albert Serra, coproduzido pela portuguesa Rosa Filmes. Ao mesmo tempo que Cannes via Paulo Branco anunciar mais detalhes sobre o filme de Terry Gilliam sobre Donm Quixote, cuja rodagem começará em setembro próximo.

Curiosamente, Serra fizera o seu "Honor de cavaleria" como se filmasse o que se passa entre os capítulos do livro de Cervantes. Agora, conta com o lendário Jean-Pierre Leaud como Louis XIV, num filme que, confessou ao JN, quase o incomoda por ter sido tão bem recebido, dada a radicalidade do seu cinema.

Uma historia para acompanhar, visto que o projeto, que começou como uma encomenda depois não concretizada do Centro Georges Pompidou para uma instalação sobre a morte de Louis XIV, poderá ter continuidade nesse formato no nosso pais.