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Sophia de Mello Breyner: O centenário da poetisa situada para lá do tempo

Sophia de Mello Breyner: O centenário da poetisa situada para lá do tempo

No início das celebrações dos 100 anos de Sophia de Mello Breyner, amigos, familiares e admiradores evocam a figura única e especial de uma "autêntica princesa da literatura".

Tantos anos depois, Maria Teresa Horta ainda se lembra do impacto que Sophia de Mello Breyner teve em si no momento em que a conheceu. "Quando cheguei à escrita, ela abriu-me os braços de uma forma espantosa", relembra a poetisa, ainda hoje impressionada com "a finura da escrita e a sensibilidade espantosa de uma autêntica princesa da literatura".

A amizade entre ambas foi instantânea, apesar dos 20 anos de diferença, e seria reforçada com um convívio que passou pelas intermináveis conversas nas praias algarvias, com a poesia a dominar as atenções. "Havia sempre algo de encantatório nela, que dava uma dimensão diferente ao que dizia", relembra Maria Teresa Horta, que acrescenta, todavia, que embora Sophia transmitisse a sensação de que "pairava acima dos demais", não deixava também de "ser uma mulher como todos nós". "Lembro-me de ouvi-la dizer que, no início, até escrevia poemas enquanto fazia bacalhau com batatas. Não poderíamos ouvir o mesmo de Torga ou Mourão-Ferreira, certamente", ironiza.