1941 - 2022

Super-heróis despedem-se de Neal Adams

Super-heróis despedem-se de Neal Adams

O desenhador norte-americano Neal Adams faleceu aos 80 anos. Natural de Nova Iorque, onde nasceu a 15 de Junho de 1941, estudou na Escola de Artes Industriais da sua cidade natal, tendo começado aos 19 anos a trabalhar em ilustração publicitária.

O seu primeiro trabalho em banda desenhada surgiu dois anos depois, uma tira diária de imprensa intitulada "Ben Casey", com argumento de J. Caplin, baseada numa série televisiva, na qual permaneceu durante cerca de quatro anos. De seguida, trabalhou anonimamente como desenhador de estúdio em clássicos como "Rip Kirby" ou "The Heart of Juliet Jones".

1967 foi um ano de viragem para Neal Adams, quando foi contratado pela National Periodical Publications, a futura DC Comics, onde um dos seus primeiros trabalhos foi desenhar um insólito confronto em "Superman vs Muhammad Ali", que se tornou famoso também pela capa dupla que mostrava a plateia do combate repleta de personalidades famosas. Esta foi uma das suas primeiras parcerias com o escritor Dennis O'Neil (1939-2020), com quem partilhou muitos dos seus principais projetos.

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Nos anos seguintes trabalhou para a Marvel, com passagens breves mas significativas pelos X-Men, Avengers ou Conan.

De regresso à DC Comics, no início da década de 1970, sempre em parceria com O'Neil criaram um dos arcos mais marcantes e polémicos da dupla Lanterna Verde/Arqueiro Verde ("Inocência perdida" na versão portuguesa da Levoir), que durante um longo périplo pelos Estados Unidos foram introduzindo temáticas fraturantes como o racismo, a xenofobia ou as drogas, chegando ao ponto de mostrar o parceiro adolescente do Arqueiro Verde como um drogado.

Este hiper-realismo seria depois transposto pela dupla para Batman, recuperando e exponenciando o seu lado violento e soturno, que tinha sido eliminado por influência da série televisiva cómica com Adam West. A criação de vilões como Ra's e Talia Al Ghoul, a transformação do Joker num maníaco homicida, arqui-inimigo do Homem-Morcego e o

endurecimento do tom narrativo introduzidos nesta época, marcariam definitivamente a personagem durante as décadas seguintes, até aos nossos dias.

Presidente a partir de 1971 de uma associação americana de autores de BD, Neal Adams lutou por um maior reconhecimento por parte da indústria dos seus criadores, entre eles nomes como Jerry Schuster ou Joe Siegel, que viviam mal financeiramente apesar de terem sido os criadores do Super-Homem.

Numa carreira recheada de momentos altos, surge também a introdução do Lanterna Verde John Stewart, uma das primeiras personagens negras nos quadradinhos de super-heróis, e a fundação de uma editora própria, a Continuity Associates, em que os autores eram os detentores das próprias criações.

Graficamente, o desenho de Neal Adams destacou-se desde sempre pela soberba definição dos espaços, a planificação arrojada, pelo dinamismo extremo e pelo tratamento inovador das personagens com que foi trabalhando, tendo-se tornado uma referência incontornável para os desenhadores das gerações seguintes.

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