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Termina hoje a improvável 30.ª edição do Guimarães Jazz

Termina hoje a improvável 30.ª edição do Guimarães Jazz

"Ainda existirmos hoje, num mundo em que tudo passa tão depressa", era inesperado nos anos 1990, afirma Ivo Martins, diretor artístico do festival.

A 30.ª edição do Guimarães Jazz encerra hoje com três concertos, todos eles com ingredientes para serem memoráveis: o duo Samuel Blaser e Marc Ducret, o quinteto liderado por Ryan Cohan e o regresso, oito anos depois, da Frankfurt Radio Big Band, desta vez acompanhada pela saxofonista Melissa Aldana.

Ivo Martins faz um balanço positivo desta edição com data redonda, "onde já foi tudo mais fácil que no ano passado. Foi o regresso a alguma normalidade". O diretor artístico do festival não se apercebeu que grande coisa tenha mudado com a pandemia: "Os músicos continuaram a fazer música". Ainda assim, acredita que com a facilidade de comunicações, "talvez os músicos tenham tido mais tempo para conversar e isso pode ter dado origem a novos projetos. O jazz sempre viveu desses cruzamentos de coisas muito diferentes".

Olhando para os 30 anos que o Guimarães Jazz já deixou para trás, Ivo Martins afirma que o melhor momento "é ainda existirmos, num tempo em que tudo passa tão depressa". O diretor artístico do evento desde 1996 lembra que começou por enviar faxes aos artistas e que hoje contacta com eles em tempo real, "enquanto estão a caminhar pelas ruas de Nova Iorque".

Um dos objetivos do festival sempre foi a vertente pedagógica e Ivo Martins não podia estar mais satisfeito. "Há 20 anos não seria possível ter uma orquestra como a da ESMAE. Havia muito poucos músicos de jazz. Os músicos eram formados nas bandas filarmónicas, não tinham cultura de jazz. Hoje há muitos, há cursos, inclusivamente cursos superiores."

É por isso que Ivo Martins discorda de quem crítica o Guimarães Jazz por não promover o talento nacional. "Ao todo mobilizamos, este ano, mais de 100 músicos portugueses, entre os projetos Sonoscopia, Porta Jazz, Orquestra de Guimarães e Big Band da ESMAE", afirma.

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Em três décadas, o Guimarães Jazz atingiu um estatuto no circuito dos festivais que ultrapassa as fronteiras portuguesas. Trazer nomes como Jan Garbarek, Charlie Haden, Steve Coleman e tantos outros "nem sequer é difícil, porque eles conhecem, sabem que são bem tratados, e que Guimarães é uma cidade com uma identidade especial".

Termina hoje a edição número 30, havendo ainda tempo de ouvir Melissa Aldana, nome em ascensão no universo dos saxofonistas, acompanhada pela Frankfurt Radio ​​​​​​​Big Band, evocado o património latino do Chile natal em aliança com uma incomparável orquestra europeia.

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