Literatura

Torga ainda continua a encher estantes

Torga ainda continua a encher estantes

Mesmo 25 anos depois da morte Miguel Torga, efeméride que se assinala este ano, continua a haver algo inédito para descobrir sobre o primeiro Prémio Camões (em 1989). E a sua produção literária não caíu no esquecimento. O livro "Cartas para Miguel Torga", que hoje é lançado no Espaço Miguel Torga, é a prova de que o interesse pela figura e obra do autor de "A criação do Mundo" e "Os bichos" não esmoreceu.

"Desde há dois anos que o Espaço Miguel Torga tem registado uma crescente afluência de público. Sobretudo jovens interessados sobre a produção poética do autor ", revelou ao JN João Luis Sequeira, diretor deste espaço cultural localizado em S. Martinho de Anta (Sabrosa).

É aqui que, até o final deste ano, estão programadas uma série de iniciativas que visam assinalar os 25 anos da morte do escritor. "Temos previsto o lançamento de um concurso literário, de um filme e de um trabalho de recolha em registo áudio de sons das paisagens sonoras de que Miguel Torga falou ao longo da sua obra", revelou o responsável.

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Um dos pontos mais marcantes do programa acontece hoje, com o lançamento de "Cartas para Miguel Torga", um livro organizado por Carlos Mendes de Sousa, docente da Universidade do Minho, com a presença de Marcelo Rebelo de Sousa. A obra, com a chancela da D. Quixote, inclui correspondência inédita dirigida, entre 1930 e 1944, àquele que é um dos nomes cimeiros da literatura contemporânea.

"São mais de 100 cartas de muito destacadas figuras, de Vitorino Nemésio a Sophia de Mello Breyner, de Eduardo Lourenço a Agustina Bessa-Luis ou a Eugénio de Andrade, entre muitos outros", explicou ao JN Mendes de Sousa. "São cartas que iluminam e que de alguma forma ajudam a compreender a sua obra", acrescentou, destacando "uma surpreendente carta de Agustina Bessa-Luís, na qual ela lhe dá conselhos para que se afaste das tertúlias citadinas que frequenta e nas quais ele estaria a perder o seu tempo".

Carlos Mendes Sousa reconhece que Miguel Torga nunca foi consensual entre os literatos. "Às vezes há alguma resistência e algum preconceito em relação à atualidade da sua obra. Mas o que é inegável é que, do ponto de vista estilístico, a escrita de Torga é de uma grande claridade e simplicidade. E algumas das cartas coligidas neste livro, como no caso das escritas por Sophia de Mello Breyner ou Eugénio de Andrade, destacam essa clareza e precisão na palavra. Por isso, nesse sentido, ele continua a ser um clássico".

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