Homenagem

Tragédia de Pedrógão evocada em vídeo musical

Tragédia de Pedrógão evocada em vídeo musical

O Requiem à Floresta Portuguesa, gravado em 2018, tem agora um vídeo, gravado no coração da tragédia. Projeto de compositora checa contou com a colaboração de elementos da Orquestra Sinfónica e do Coro da Casa da Música.

A cena passa-se no Pinhal de Leiria, um ano depois dos grandes incêndios de Pedrógão Grande. No filme, a preto e branco, os troncos queimados ainda intactos servem de cenário a um concerto improvisado para uma natureza morta.

No útero calcinado da tragédia, orquestra e coro afinados pelo negro da paisagem interpretam o Requiem à Floresta Portuguesa. Hoje, três anos passados sobre o dia em que 66 pessoas pereceram nas esquivas mãos do fogo (outras 50 morreriam quatro meses depois nas mesmas circunstâncias), e dois anos depois de ter sido gravado, é lançado o vídeo da peça de nove minutos que a checa Martina Videnová (1985) compôs em jeito de homenagem às vítimas e de alerta para a devastação provocada pelos fogos florestais em Portugal.

"Foi uma das experiências mais fortes da minha vida. No final, para vários músicos e técnicos foi difícil não chorar", recorda a musicóloga e compositora ao JN, a propósito do dia de gravações no dizimado Pinhal de Leiria. "Uma floresta mágica ao largo do oceano", esperançada no azul do mar, "o que encontra correspondência no texto da música", completa.

O projeto "Home is the place where fire burns" começou na cabeça de Videnová anos antes dos grandes fogos de 2017, quando, em passeio pelas estradas do país, viu uma dezena de fogos em duas horas de caminho. Em 2018, com a ajuda do produtor português Tomás Vale, de intérpretes da Orquestra Sinfónica e do Coro da Casa da Música, de técnicos e de uma campanha de crowdfunding - cerca de 60 pessoas envolvidas - gravou o requiem, lançou-o em CD e organizou um par de exposições e concertos.

Por agora, a jovem mantém intactos os objetivos de chamar a atenção para o problema dos fogos e o desejo de ver o seu requiem - uma missa aos mortos, habitualmente tocada em funerais - interpretado no dia da inauguração do memorial de homenagem às vítimas. A obra, encomendada ao arquiteto Eduardo Souto de Moura, estava prevista para este ano, mas assim não aconteceu. "Espero que a nossa música possa fazer parte desse momento especial", diz.

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