Feira do Livro

Uma aura de romantismo cobre os jardins do Palácio de Cristal

Uma aura de romantismo cobre os jardins do Palácio de Cristal

Feira do Livro do Porto abre na sexta-feira e decorre até 12 de setembro. "Herborizar" é o verbo de uma edição em que se homenageia Júlio Dinis.

Uma estimulante teia de lições, conversas, duetos e exposições irá envolver a Feira do Livro do Porto no universo do romantismo, entendido não apenas como período literário e artístico do século XIX mas como "tendência espiritual trans-histórica", segundo o coordenador da Feira e diretor do Museu da Cidade, Nuno Faria. O verbo para a edição deste ano é Herborizar, prática de recolha e preservação de espécies vegetais associada ao temperamento romântico e a vários escritores da época, nomeadamente Júlio Dinis (1839-1871), que será o autor homenageado em 2021. Herborizar será também refletir sobre uma "natureza em crise" e questionar o lugar problemático onde nos encontramos hoje.

Ocupando a maior parte dos equipamentos que se espalham pelos jardins do Palácio de Cristal, a Feira conta este ano com 124 pavilhões que irão acolher 78 livreiros, editores, alfarrabistas e outras entidades. Haverá 145 atividades programadas para 150 convidados, entre escritores, filósofos, historiadores e músicos. E dois espaços satélite: o Museu da Cidade - Extensão do Romantismo, implantado no antigo Museu Romântico, e a Biblioteca Popular de Pedro Ivo, na Praça do Marquês do Pombal, devolvida à função original com todo o espólio reunido pelo escritor Pedro Ivo.

Os novos românticos

Júlio Dinis, "o mais esquecido dos escritores portugueses conhecidos", nas palavras de Nuno Faria, autor de obras como "Os fidalgos da casa mourisca" ou "Uma família inglesa", portuense desaparecido aos 31 anos, abrirá o livro sobre o romantismo. Um livro escrito a várias mãos e sob múltiplas perspetivas. A introdução estará a cargo de Helena Carvalhão Buescu, especialista em estudos românticos que abrirá o ciclo de lições este sábado com "Palimpsestos: Júlio Dinis e o espírito romântico". Outros capítulos serão escritos por José Miranda Justo, João Barrento, Sousa Dias e Paula Guerra, que irão debruçar-se sobre figuras de várias épocas como Joseph Beuys, Novalis, Empédocles ou Kurt Cobain - que talvez tenham em comum a ideia que preside ao ciclo de conversas coordenado por Gonçalo M. Tavares "Entre arder e durar": "O que são os românticos do século XXI? Talvez isto: são os que querem muito, são os que talvez queiram demais, mas nunca de menos. Não irão falhar por sovinice, pela cautela que se resguarda dos grandes instantes". A reflexão proposta pelo escritor estende-se a várias artes, com convidados como António Olaio, Jorge Andrade ou Victor Hugo Pontes.

Os duetos de poetas, que se realizarão no auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett, colocarão em confronto e coralidade Miguel Manso e Hélia Correia, Tatiana Faia e Ana Luísa Amaral, Daniel Jonas e Paulo José Miranda. E como não há romantismo sem música, haverá concertos na Casa do Roseiral e na Concha Acústica, do regresso do Porta-Jazz ao Relento aos Concertos de Bolso organizados pelo Maus Hábitos, onde se contam nomes como Ana Deus, 10.000 Russos, The Solar Corona Elektrishe Maschine, Stereoboy ou PZ.

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Nova estação do Museu da Cidade abre ao público no sábado

O antigo Museu Romântico, que albergava os aposentos do Rei da Sardenha Carlos Alberto, sofreu profundas obras de atualização e será uma das 17 estações do Museu da Cidade. A Extensão do Romantismo, como ficará conhecida, abrirá ao público no sábado, no contexto da Feira do Livro do Porto, e a admissão será gratuita durante o período do certame. A exposição que inaugura o espaço, "Quando a terra voltar a brilhar verde para ti", tem como peça central o herbário de Júlio Dinis, propriedade da Escola Rodrigues de Freitas: um conjunto de pranchas que reúnem espécimes vegetais recolhidos pelo escritor numa das suas estadas na Madeira. O objeto estará em diálogo com obras de Rui Chafes, Ilda David, Lourdes de Castro ou Teixeira de Pascoaes. A nova estação será lugar de investigação e produção de conhecimento, com o romantismo no horizonte, mas também espaço expositivo, com duas mostras sazonais, e performativo, com ciclos musicais programados pelo maestro Pedro Monteiro, com o antigo piano da casa como instrumento central.

A Feira do Livro de Lisboa, que decorre no Parque Eduardo VII entre hoje e 12 de setembro, aposta este ano no gigantismo, apresentando a "segunda maior edição da história", logo atrás da de 2019, com um impressionante número de 131 expositores distribuídos por 325 pavilhões que acolhem mais de 600 marcas editoriais.

Tudo em grande escala, com diversas praças e auditórios, haverá uma enxurrada de autores a participarem em sessões de autógrafos, lançamentos, conferências, debates e leituras. Os nomes percorrem áreas como a literatura, ciência, política, religião ou filosofia. Destaque-se a presença de escritores como Rui Zink (que celebra 35 anos de carreira literária), Bruno Vieira Amaral, Rodrigo Guedes de Carvalho, Hugo Gonçalves, João Tordo, Leonardo Padura, Lídia Jorge, Maria do Rosário Pedreira, Maria Dulce Cardoso e Alice Vieira.

Haverá homenagens e evocações. Programas para a família. Concertos de jazz e música pop. E um momento de oportunidade para quem vai às compras - a Hora H, que funciona de segunda a quinta-feira, a partir de 31 de Agosto, na última hora da feira, entre as 21 e as 22 horas, e permite adquirir livros publicados há mais de 18 meses com desconto mínimo de 50%. A lotação máxima aumentou 70% relativamente à edição de 2020 e poderão circular no recinto até 5500 pessoas. Por questões de segurança relacionadas com a covid-19, não haverá eventos nos stands, ficando todos os lançamentos e sessões de recitação reservados para os auditórios.

Testes

Em nenhuma das Feiras do Livro, do Porto ou Lisboa, será necessária a apresentação de teste negativo ou certificado para aceder aos recintos.

Máscaras & etc.

Todas as restantes normas quotidianas de segurança relativas à covid-19 estarão em vigor, da utilização de máscara ao distanciamento e higienização.

Lotação Porto

Na Feira do Livro do Porto haverá contagem de público, de modo a que nunca se ultrapasse as mil pessoas em simultâneo no interior do recinto.

Lotação Lisboa

Na capital, o evento acolherá 5500 pessoas, mas canaliza os eventos para auditórios, além de haver sala de isolamento para pessoas com sintomas de infeção. As instalações sanitárias terão reforço de limpeza nas horas de maior afluência.

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