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União Audiovisual consolida projeto solidário para lá da pandemia

União Audiovisual consolida projeto solidário para lá da pandemia

Mais de um ano depois de ter surgido, em resposta à pandemia, a União Audiovisual prepara-se para uma nova vida enquanto associação e com projetos a longo prazo, como a criação da Casa do Técnico.

"Estamos quase no final disto (a pandemia), não quer dizer que as dificuldades não continuem", afirmou Ricardo Queluz, técnico de som que, em abril de 2020, se juntou a outros profissionais do setor e fundou a União Audiovisual.

A iniciativa foi criada como um grupo informal para apoiar os trabalhadores da área do audiovisual, com situação profissional precária e que ficaram sem trabalho por causa da pandemia da covid-19.

Inicialmente, o apoio consistia na recolha e distribuição de cabazes alimentares para mais de duas centenas de famílias de profissionais, julgando-se que seria uma ajuda temporária. Um ano e meio depois, os pedidos de ajuda persistem, mesmo com a reabertura da atividade cultural.

Ricardo Queluz explica que a União Audiovisual consolidou-se no início deste ano como associação até para poder gerir os donativos financeiros que tem recebido, canalizados para a compra de bens e alimentos.

A União Audiovisual "já recebeu no mínimo 100.000 euros, mas estamos a gastar 7.000 a 8.000 euros mensais" em ajudas, calculou o técnico de som, especificando que só em Lisboa estão a ser ajudadas mensalmente 160 famílias e no resto do país cerca de 70 agregados.

Atualmente, ainda existem pontos fixos de recolha de donativos, em Lisboa, na região Oeste, no Algarve, no Alentejo, em Coimbra e no Porto e a União Audiovisual desdobra-se em iniciativas.

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Segundo Ricardo Queluz, há pessoas que estão a receber apoio desde o começo da pandemia, outras deixaram de precisar porque recomeçaram a trabalhar ou conseguiram mudar de profissão.

No entanto, a União Audiovisual está focada em manter-se no terreno a apoiar os trabalhadores do audiovisual, das artes de palco e espetáculos.

Em outubro, a associação vai estrear um documentário, "Nínguêm fica para tráz", realizado por Nuno Pires Pereira, com testemunhos de alguns dos 80 voluntários, entre músicos, técnicos e outros profissionais, sobre o primeiro ano de atividade.

No filme recordam como e porque é que o grupo informal nasceu, como responderam aos pedidos de ajuda e como encaram o futuro do projeto.

"Como diz o Pedro Gonçalves (músico dos Dead Combo) no filme, isto se calhar é o início de alguma coisa e ainda não sabemos muito bem o que é", recorda Ricardo Queluz.

Entre os projetos que a União Audiovisual quer desenvolver está a criação de uma Casa do Técnico, à semelhança da Casa do Artista.

"O nosso objetivo era ter um espaço onde pudéssemos acolher os técnicos mais velhos. (O apoio ao envelhecimento destes profissionais) é um problema que sempre existiu, não é da pandemia; será um projeto que vamos tentar fazer", disse o técnico.

O outro projeto, que está ainda numa fase embrionária, disse, é a União Audiovisual ter um clube, um espaço cultural: "Uma sala multiusos onde pudéssemos fazer concertos, teatro, várias apresentações".

Por enquanto, vão fazer uma campanha de angariação de sócios, manter os pontos de recolha de bens alimentares e divulgar o documentário.

"Nínguêm fica para tráz" - os erros ortográficos são explicados no filme - estrear-se-á a 05 de outubro no Cinema São Jorge, em Lisboa, seguindo-se sessões em Almada (dia 06), Faro (dia 08), Évora (dia 13), Gaia (dia 14), Coimbra (dia 15), Lourinhã (dia 22) e Viana do Castelo (dia 23).

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