Cinema

Valérie Lemercier: "Céline Dion nem quis ler o argumento do filme"

Valérie Lemercier: "Céline Dion nem quis ler o argumento do filme"

"A voz do amor" é uma versão livre da vida da cantora, em estreia nas salas.

Popular atriz e realizadora francesa, Valérie Lemercier assina "A voz do amor", inspirado na vida da cantora canadiana Céline Dion. A infância, a vida amorosa, as canções, agora ao dispor dos fâs, numa produção que reuniu a França e o Canadá.

O seu filme é sobre Céline Dion, mas na verdade não é exatamente sobre ela.

Porque Céline Dion só há uma e está viva. Não podia haver duas Céline Dion na Terra, por isso no filme chamo-me Aline Dieu. Houve uma altura em que foi possível filmar na casa dela, no Quebec, e não quis. Preferi a casa falsa à verdadeira. Porque me dava mais espaço de liberdade, de poder mentir. Se é Aline, é possível.

Apesar dessa liberdade, há uma certa fidelidade ao percurso de Céline Dion.

Desde logo há as canções, que todos conhecemos. Há alguns momentos emblemáticos que não podia dispensar, como a sua paixão pela decoração: uma das casas dela no Quebec inspirou-se na de Gianni Versace; a piscina é igual. Depois, é claro que me diverti a acrescentar coisas. Não sei se alguma vez saiu pela janela mas diverti-me a pôr uma porta pequena demais para o vestido dela.

Sendo uma comédia, o filme é bastante respeitador da personagem...

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Em França e no Quebec as pessoas usam muito o escárnio, isso já foi feito em relação a ela, por vezes de forma bastante embaraçosa. Não iria passar três anos da minha vida a gozar com alguém que adoro.

Qual foi a relação de Céline Dion com o projeto?

Ela não quis ler o argumento. Deixou-me fazer tudo. As pessoas à volta dela sim, leram, e disseram-lhe que a minha intenção não era fazer pouco dela. O filme é uma história de amor e mesmo na montagem não queria que o marido dela morresse. No dia em que montámos essa cena voltei triste para casa, porque senti que ele já não estava lá.

Neste momento deve ser a pessoa que mais sabe sobre Céline Dion...

Ainda há pessoas que me telefonam a perguntar se eu sei isto ou aquilo sobre ela. Se há um rumor que circula recebo-o 150 vezes. Um jovem inglês, numa noite, sob o efeito do álcool, mudou o nome dele para Céline Dion. Recebi logo essa informação no meu telefone umas 15 vezes.

O seu trabalho neste filme como atriz e como realizadora é bastante exigente. Como conseguiu conciliar ambas as tarefas?

Como era um filme de grande orçamento, com muita gente, muitos figurantes, não me perdi em detalhes, o que costumo fazer. As cenas de palco foram todas feitas em três dias, tinha de ser. Como já tinha trabalhado com uma boa parte da equipa, ajudaram a ocupar-me de cantar e mais nada.

Filmar em Las Vegas foi um sonho ou um pesadelo?

Foi maravilhoso. Só ficámos lá dois dias. Uma vez, às 5 da manhã, fazia tanto frio que fui a um casino. Tinha uma nota de 20 dólares, pus numa máquina e de repente já tinha 100. Estar em Las Vegas às primeiras horas da manhã foi maravilhoso, devo dizer. Mas a Céline não podia sequer ir à rua, era demasiado conhecida.

A Valérie também deve ter os seus fãs.

Uma vez, entre duas representações no teatro em Paris, saí para reservar mesa num restaurante. Quando voltei, a entrada dos artistas estava fechada e tive de entrar pela porta principal, pelo meio do público. E fiquei muito contente, porque no palco não os vejo, está muito escuro. Gostei de ver juntas pessoas de diferentes gerações e meios sociais. Mas não sei se tenho fãs. Não há ninguém à minha espera à porta de casa.

Tem mais algum projeto que seja assim tão pessoal?

O meu projeto agora é aprender inglês. Gostava muito de saber falar bem inglês. Preciso de encontrar um professor que possa ver todos os dias. E talvez também tirar a carta de condução.

O filme já estava pronto há algum tempo, mas depois as salas fecharam. O que fez durante o confinamento?

Estive na Normandia com a minha irmã e as crianças dela. Foi divertido. Permitiu-me conhecê-los melhor. Mas não consegui ler ou ver filmes. Eu gosto é de fabricar, costurar. O Macron disse que o que tínhamos de fazer era ler livros, mas não gosto que me digam o que tenho de fazer.

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