DDD - 5ª Edição

Velocidade furiosa

A detonação "Cabraqimera" de Catarina Miranda estreia no Rivoli, no dia 28 de abril, às 19 horas.

Catarina Miranda é uma coreógrafa que se distingue pela dimensão plástica, nas obras que apresenta. A artista, que é formada em Belas Artes e tem experiência em canto, leva essas aprendizagens para as suas obras coreográficas pensando no espetáculo primeiramente num formato visual e desenvolvendo todas as dimensões : sonora, visual e espacial em simultâneo.

O motor criativo do seu trabalho é sempre "a posta em cena". Os seus trabalhos têm passado regularmente por teatros em Portugal, mas também por festivais na Bélgica, em França e na Alemanha. Algumas vezes tem como colaborador o compositor e artista visual Jonathan Uliel Saldanha, também reconhecido por uma linguagem onde se misturam o popular e o futurista de uma forma muito peculiar.

Na trilogia "Boca Muralha" (2016), "Rei Morto/Rei Posto" (2015), "Shark" (2015), que marca a fase inicial e mais fulgurante da carreira, Catarina Miranda teve uma base de composição minimalista, em que através da repetição do gesto e de pequenos acrescentos criou um vocabulário dançado. A linguagem era de uma grande agressividade e tinha um efeito de espelho sobre o público bastante impactante. De repente, o espectador era posto frente a frente com a sua visão e a sua inoperância. Como se segredasse ao ouvido as piores características da Humanidade.

Antes de partir para um projeto, a artista faz um estudo minucioso, como foi o caso de "Boca Muralha", em que se dedicou a estudar as artes marciais, a dança do pau e esgrima criando intricados jogos coreográficos de pergunta e resposta.

A coreógrafa não tem medo do confronto. Pelo contrário, vive em busca desse contraponto num imaginário muito especial, onde o vazio e o Universo estão presentes criando lugares de estranheza. Há no seu trabalho um mapeamento da matéria negra e do indizível. Não é essa a beleza da dança?

No último DDD esteve presente com "Dream is the Dreamer" , uma evocação espacial para palco, pensada para um performer e três sacos plásticos, onde uma topografia ficcional era ativada, estabelecendo um imaginário coletivo, através da palavra e do gesto. Mais uma vez, o regresso a temáticas como o Humanismo, Ecologia e Ficção Científica em doses iguais.

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Quando Catarina Miranda partiu em busca da equipa artística para fazer "Cabraqimera", que chega agora ao DDD, pretendia intérpretes muito específicos e pedia, na sua apelativa audição, "bailarinos profissionais com formação em street dance, footwork, voguing, rollerdance, contemporâneo e clássico, com forte capacidade física e experiência de palco e improvisação".

A peça resultou num quarteto de intérpretes em patins a uma velocidade furiosa, como um acidente prestes a acontecer, criando um monstro uníssono por ritmos e vocalizações, em que através do contágio vão criando um crescendo até chegar à Cabraqimera.

Desta exploração resultou um outro objeto artístico: a instalação POROMECHANICS, uma série de vídeos-retratos de artistas em estados de imersão. Novamente numa busca pelos estados antagónicos.

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