Depois do concerto na Aula Magna, em Lisboa, os UHF celebram também no Porto uma carreira de quatro décadas "sem paragens".

Concerto

40 anos de UHF na Casa da Música

40 anos de UHF na Casa da Música

Quatro décadas depois da sua criação, com mais de 1700 concertos e quase um milhão e meio de discos vendidos, os UHF sobem esta noite ao palco principal da Casa da Música, no Porto, para o espetáculo de celebração "40 Anos Numa Noite".

António Manuel Ribeiro, vocalista daquela que é considerada uma das bandas emblemáticas da fundação do movimento do rock nacional com temas como "Cavalos de Corrida", "Rua do Carmo" ou "Matas-me com o teu Olhar", falou ao JN sobre o concerto desta noite: "Queremos que seja uma grande festa com aquelas pessoas que ao longo de todos estes anos foram a nossa plateia e os nossos amigos. Às vezes leio nas redes sociais que as nossas canções fazem parte da banda sonora da vida de muita gente e isso enche-nos de orgulho". O espetáculo contará com os convidados especiais João Pedro Pais, Frankie Chavez, The Legendary Tigerman e Renato Gomes, membro fundador da banda, que "trarão as suas sonoridades e musicalidade para as músicas dos UHF".

Os primeiros anos

Em 1979, a banda gravou o seu primeiro single "Jorge Morreu" mas foi só um ano depois com "Cavalos de Corrida" que a banda de Almada deu início ao movimento de renovação musical apelidado de "rock português", juntamente com Rui Veloso e o seu irreverente "Chico Fininho". "Os primeiros tempos foram agrestes, porque não havia dinheiro, instrumentos ou sala de ensaios, e porque ainda estávamos a fazer a escola primária da liberdade. E também porque de repente estávamos a tocar um estilo musical que vinha de fora, muitas vezes conotado de imperialista. Mas ao contrário de outras bandas da época nós cantámos sempre em português porque queríamos fotografar a nova realidade saída da revolução".

Com "Cavalos de Corrida" a banda atingiu um sucesso comercial invulgar para a época, que mudou totalmente o paradigma editorial nacional como o "primeiro sucesso do rock português com um notável retorno financeiro". "Agora, com 40 anos de distância, já me posso permitir dizer que realmente mudamos o rumo da música portuguesa", confessou António Manuel Ribeiro.

40 anos sem parar

Ao longo das últimas quatro décadas os UHF não pararam e prova disso são os 16 álbuns gravados, o mais recente em 2017 - "A Herança do Andarilho" - um tributo a Zeca Afonso. "Nunca pensei chegar aos 40 anos de carreira, nem sequer aos vinte. Temia que com o tempo as pessoas envelhecessem e ficassem em casa. Mas a verdade é que os pais trazem os filhos, os irmãos mais velhos trazem os mais novos e temos ao longo dos anos um público sempre renovado. Por mérito nosso também, claro, porque não parámos de trabalhar dentro da música e dependendo dela".

Quanto ao reconhecimento do trabalho da banda, António Manuel Ribeiro não hesita em reconhecer que "um grupo que viveu sempre a dizer aquilo que pensava e não o que se esperava dele, que nunca esteve metido num rebanho, naturalmente não pode ser a banda mais popular do país. Mas poderá ser talvez a mais sólida do país, é essa a diferença", concluiu.

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