Cinema

Zé Pedro, os Xutos e o rock português no DocLisboa

Zé Pedro, os Xutos e o rock português no DocLisboa

17ª edição do Festival Internacional de Cinema Documental exibe mais de 300 filmes em dez dias. Certame decorre até dia 27

A estreia de"Zé Pedro Rock"n"Roll", de Diogo Varela Silva, é um dos destaques da 17.ª edição do DocLisboa, que decorre entre 17 e 27 deste mês. O documentário de 120 minutos sobre o guitarrista dos Xutos & Pontapés, que morreu a 30 de novembro de 2017, aos 61 anos, estreia esta sexta-feira, no Cinema São Jorge, em Lisboa. "Fazer este filme foi a forma que arranjei de fazer o luto e gerir a saudade", confessa o realizador do JN.

Diogo Varela Silva teve, desde muito jovem, uma relação de grande proximidade com Zé Pedro. "Ele cresceu em nossa casa. Era como família", lembra numa conversa telefónica a partir dos Estados Unidos da América, onde se encontra presentemente. "Aliás, a morada inicial dos Xutos era a da casa da minha avó" (a fadista Celeste Rodrigues, falecida no ano passado). O realizador recorda que, muitas vezes, quando se encontrava com o icónico guitarrista, falava na hipótese de fazer este filme. "Ele ria-se e dizia: havemos de o fazer um dia. Infelizmente, entretanto, faleceu. Mas o filme aqui está. E o Zé Pedro vive nele."

O autor tinha uma ideia do que pretendia. "Queria mostrar quem ele foi, e a importância que teve como como ser humano e como músico, radialista, crítico e como impulsionador do rock em Portugal. A minha única preocupação foi a de não cair na lamechice."

Para concretizar este projeto, que agora integra os 21 filmes que o DocLisboa vai exibir na secção "Heart Beat", Diogo Varela Silva recorreu aos arquivos pessoais do músico e aos de familiares e amigos. E assim conta a história do músico, a história dos Xutos e do rock português.

303 filmes de 48 países

A 17ª edição do DocLisboa inclui filmes que "exploram todas as formas de arte e expressão, numa celebração da criação", adiantou ao JN a sua diretora, Cíntia Gil. O festival apresenta 303 filmes, oriundos de 48 países e inclui 39 estreias mundiais, 45 estreias internacionais, 44 filmes portugueses e 11 primeiras obras, repartidos por secções competitivas e não-competitivas.

Nesta edição, que abre com "Longa noite", filme do galego Eloy Enciso, sobre "os alicerces sociopolíticos do fascismo" a partir da história do franquismo, em Espanha, sublinha-se a retrospetiva do trabalho integral de Jocelyne Saab, que foi repórter de guerra no Líbano.

"Como em todos os anos, houve preocupação em mapear aquilo que é o cinema nos tempos que correm e, por outro, ir à história do cinema buscar filmes que nos ajudam a pensar em questões atuais", nota Cíntia Gil.

É neste contexto que a programação destaca os 30 anos da Queda do Muro de Berlim, "num tempo em que os muros (físicos, espirituais, linguísticos e discursivos) proliferam", como também lembrou a diretora do festival.

Brasil e países africanos são territórios-chave nesta edição que dedica um espaço de debate às memórias das colonizações.

Organizado pela Apordoc -Associação pelo Documentário, o DocLisboa termina dia 27, embora o filme de encerramento, "Technoboss", de João Nicolau, seja exibido na véspera. Todos os anos, o Festival recebe entre 26 a 28 mil pessoas e inclui atividades paralelas, com uma forte aposta em projetos educativos.