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Opinião

Ciclo novo, vida nova

Encontro-me hoje em Bruxelas para participar na ronda final de negociação do futuro programa regional do Norte (o Norte 2030), com uma representação da Comissão Europeia. Com um orçamento global de 3,4 mil milhões de euros, o Norte 2030 será um dos instrumentos de aplicação dos fundos europeus do Portugal 2030 no Norte, que forma com o Centro e o Alentejo o conjunto das regiões portuguesas prioritárias na implementação da Política de Coesão comunitária.

Opinião

Revolução

Esta foi a palavra usada pelo ministro das Infraestruturas quando há uns dias apresentava, com o primeiro-ministro, no Porto, o protejo ferroviário em alta velocidade que ligará Lisboa, Porto e Vigo. O termo não tem nada de exagero. No horizonte de oito anos, até 2030, Porto e Lisboa ficarão ligados a uma hora e quinze minutos de viagem (reduzindo a distância em mais de uma hora e meia) e Porto e Vigo estreitam a sua ligação para 50 minutos (quando agora distam entre si mais de duas horas e vinte minutos). A ligação ao aeroporto não fica também esquecida.

Opinião

Identidade e futuro

Retomo a posição onde concluí a minha última coluna de opinião nestas páginas: o breve e valioso livro de Ramón Villares, recentemente publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos. "Galiza - Terra irmã de Portugal" é um daquelas obras que iluminam tanto a memória quanto o futuro. O autor traça uma arqueologia brilhante da "irmandade existente entre a Galiza e Portugal", irmandade "atlântica", natural e cultural, que foi historicamente "dividida" por dois reinos e estados, mas para onde o presente e o futuro sempre apontam. "Subjacente a esta realidade cultural e política, está a continuidade das suas paisagens e as frequentes relações transfronteiriças das suas gentes, que não percebem de fronteiras ou que as atravessam sem disso se dar conta", nota Villares, referindo-se aos milhares de nortenhos e galegos que ainda hoje "cruzam a raia" quotidianamente, cujas famílias se miscigenaram, na esteira do que aconteceu na Galécia e até aos dias de hoje. "Essa divisão - nota Villares - nunca chegou a concluir-se por completo. (...) As semelhanças são indeléveis, os diálogos nunca cessaram".

Opinião

O paradoxo e a chave

A realidade é muitas vezes ambivalente, contraditória. Uma conquista motivadora anda muitas vezes de mãos dadas com a tragédia. Este verão traz-nos notícias assim. Numa mão recebemos a expectativa do melhor ano de sempre no turismo, em hóspedes, dormidas e proveitos. Temos feito, e bem, por isso - e também ou especialmente a Norte. Mas na outra mão recebemos as imagens e notícias de incêndios devastadores sobre as nossas paisagens, serras, florestas e aldeias, com especial intensidade e dimensão no Centro e no Norte. De tão recorrentes, essas imagens tornam-se banais. Carregam-nas ainda de maior dramatismo a seca que nos assola e que implicará, por si só, mudanças radicais no uso e gestão da água, com especial significado nas atividades agrícolas.

Opinião

Meia vitória

A generalidade dos programas do futuro "Portugal 2030" entrou há dias em consulta pública, incluindo o de iniciativa regional gerido pela CCDR-Norte - o "Norte 2030". O tema parece enfadonho q.b., contrastando com a importância destes instrumentos, sobretudo no momento especialmente exigente como aquele que vivemos. As tremendas transições que estamos obrigados a fazer - ambiental e energética, digital e de reindustrialização -, e que o nosso quotidiano tornou tão decisivas, esperam nestes fundos uma poderosa alavanca.

Opinião

Sibila para os nossos dias

É um dos acontecimentos culturais incontornáveis de 2022: o centenário do nascimento de Agustina Bessa-Luís. A celebração agita-se a Norte, sua região natural e de inúmeros vínculos biográficos e artísticos da escritora, mas estende-se muito justamente a todo o país e além-fronteiras. Sendo a mais nortenha criadora literária do século XX, a geografia humana de Agustina é inequivocamente universal. Os seus dramas morais e retratos das contraditórias relações humanas não conhecem fronteiras, nem épocas.