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Opinião

Responsabilidade e escrutínio

Nos últimos dias, a propósito de várias demissões de membros do Governo, um dos quais só demorou, no exercício do cargo, vinte e quatro horas, enquanto se votava, no Parlamento, uma moção de censura ao Governo. Esta última situação acabou por trazer para o debate político uma proposta do primeiro-ministro, feita por escrito, ao presidente da República de juntos criarem um processo de avaliação prévio dos candidatos a governantes. Adivinhava-se a resposta do presidente de que a responsabilidade da constituição do Governo compete unicamente ao primeiro-ministro.

Opinião

Wiriyamu

Ao longo da história dos povos acontecem sempre muitas coisas que envergonham os seus contemporâneos, bem como as gerações futuras. Existem situações que devem ser vistas com os olhos dos tempos e não procurar adaptá-las ou avaliá-las à luz da atualidade. Portugal começa agora a ter o distanciamento e a lucidez suficientes para olhar para alguns desses momentos e poder fazer a sua análise de arrependimento. Essa só depende do espírito dos nossos dirigentes e da capacidade de nos distanciarmos dos eventos para se poder ter uma perspetiva mais consentânea com os acontecimentos.

Opinião

Mário Soares

Fez 98 anos, há dias, a data do aniversário de nascimento do antigo presidente da República Mário Soares. A memória do seu legado continua viva naquela que é a nossa experiência de vida democrática. Representou uma forma de fazer política onde a convicção ganhava espaço a cada momento na sua ação. Era alguém que compreendida a velha máxima de Max Weber de que a política só se faz com vocação ou como profissão. Soares escolheu a vocação. Tinha intuição e uma forte cultura de saber fazer política. Protagonizou muitos momentos decisivos da nossa vida coletiva. Antes do 25 de Abril destacou-se, na luta ao Estado Novo, como líder da Oposição democrática. Depois da revolução, liderou o combate ao gonçalvismo. Protestou contra os exageros do 11 de Março, combateu a unicidade sindical e soube enfrentar Álvaro Cunhal no célebre debate televisivo. Esteve no 25 de Novembro para permitir que o 25 de Abril pudesse continuar e afirmar-se como uma democracia parlamentar.